Por que a ONU não consegue resolver os problemas mundiais

Não têm faltado sentimentos em torno da mesa do Conselho de Segurança da ONU ultimamente. Os conflitos na Ucrânia e em Gaza, para não mencionar a guerra na Síria, apresentaram aos diplomatas testemunhos emocionados sobre sofrimentos de civis e até de supostos crimes contra a humanidade.

Somini Sengupta, The New York Times/O Estado de S.Paulo

28 Julho 2014 | 02h00

No entanto, o conselho de 15 membros não conseguiu pôr fim a esses conflitos. O problema não é que as principais potências mundiais não se importam. É que elas se importam demais. A Rússia e os EUA têm muita coisa em jogo em cada conflito e as regras da diplomacia lhes permitem, assim como aos outros membros permanentes - Grã-Bretanha, China e França - vetar qualquer ação da ONU.

Desde o fim da Guerra Fria, os EUA vetaram 14 projetos de resolução, a maioria envolvendo o conflito israelense-palestino. A Rússia vetou 11 referentes a seus aliados, como a Síria. "Quando se tem uma crise em que uma grande potência tem um interesse nacional envolvido, ela bloqueará a interferência do Conselho de Segurança", disse Gérard Araud, o embaixador francês nas Nações Unidas.

"Às vezes se vai ao Conselho para mostrar o quanto se está zangado. Às vezes se vai ao Conselho porque ele ganha tempo para conseguir um acordo", disse Richard Gowan, analista do Center on International Cooperation, da Universidade de Nova York.

TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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