Por que a população do Sul gosta tanto do candidato magnata?

Os sulistas sempre gostaram de políticos extravagantes – e o magnata do setor imobiliário de Nova York Donald Trump parece se ajustar a esse perfil.

David Jackson , USA Today

01 de março de 2016 | 08h02

A força do bilionário na região, especialmente entre os homens brancos, o torna o favorito nas primárias da Superterça que enviará mais de 20% dos delegados para a convenção republicana em julho.

Além de um discurso que lembra políticos sulistas como Ben Tillman e George C. Wallace, Trump evoca temas que há muito tempo têm forte repercussão no Sul: críticas ao governo federal, ataques contra a imigração ilegal, protestos contra acordos comerciais externos e suas promessas de reforçar o Exército, tudo isso adotando um estilo vigoroso e vibrante.

Some-se a isso a linguagem abrupta e os gestos agressivos, seus ataques aos “políticos estúpidos”, à mídia “desonesta”, aos rivais “mentirosos” e ainda a ameaça de bombardear o Estado Islâmico.

Numa região onde muitas pessoas ainda se sentem menosprezadas pelas elites de Nova York e Hollywood, Trump e suas mensagens repercutem. Para Scott Huffmon, cientista político na Winthrop Universidade em Rock Hill, Carolina do Sul, “há uma espécie de espírito de combate e um sentimento contra o establishment”, em todo o Sul, abrangendo Arkansas, Georgia, Oklahoma, Tennessee, Texas e Virgínia, onde haverá votações hoje.

Claro que nem todos os sulistas estão impressionados com Trump. Críticos como o senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, afirmam que as políticas protecionistas defendidas por Trump provocarão guerras comerciais que prejudicarão ainda mais a economia e serão nefastas para os trabalhadores sulistas. Segundo Graham e outros, a estridência de Trump, incluindo seus ataques aos imigrantes mexicanos, serão negativos na eleição geral, ajudarão os democratas a recuperar assentos na Câmara e no Senado e levarão Hillary Clinton a ser eleita presidente.

Huffmon observou que Newt Gingrich venceu a eleição primária da Carolina do Sul há quatro anos numa vitória descrita como “eleitores brancos irados atacando violentamente o establishment republicano”. Quanto ao eleitorado de Trump, “ele vem vociferando contra as pessoas no poder, e é isso que esses eleitores gostam de fazer”, disse o cientista político. / TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO

*DAVID JACKSON É JORNALISTA

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