Por que Madiba está na psique política de Barack

ANÁLISE: Juliet Eilperin

/ W. POST, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2013 | 02h07

Para entender o respeito do presidente Barack Obama pelo ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, é importante lembrar o papel que o ativismo antiapartheid teve nas universidades americanas nos anos 80. Numa coletiva de imprensa quinta-feira, no Senegal, Obama lembrou: "Minha primeira ação como ativista político foi quando estava no Occidental College. Aos 19 anos, participei dos movimentos antiapartheid em 1979 e 1980, inspirado pelo que ocorria na África do Sul".

Ano passado, um antigo colega de classe de Obama, Margo Mifflin, fez um relato daquelas manifestações na New Yorker, relatando como Obama fez seu primeiro discurso público em 18 de fevereiro de 1981. Na abertura de uma reunião, Obama começou a falar das multinacionais que sustentavam um regime repressivo, mas foi rapidamente impedido por dois outros estudantes que se colocaram como africâneres, reprimindo seu direito de discursar.

Durante a década de 80, os alunos de universidades nos EUA pressionaram com sucesso empresas e universidades americanas a se desfazer de suas holdings na África do Sul. Obama explicou por que Mandela o inspirou. "Acho que naquela época não acreditava que Mandela seria um dia libertado, mas havia lido seus discursos e tudo o que ele escrevera e compreendi que era uma pessoa que acreditava nesse princípio básico ao qual me referi há pouco - de que as pessoas devem ser tratadas com igualdade - e ele estava disposto a sacrificar a sua vida por essa convicção", afirmou.

"Quando cursava a faculdade de Direito, em 1990, 1991, quando vi Nelson Mandela seguir adiante depois de 27 anos preso, e não só ajudar a introduzir no país uma democracia e um governo da maioria, de uma pessoa um voto, mas também quando declarou 'abraço meus antigos captores, meus opressores, acredito em uma nação, acredito que devemos julgar as pessoas com base no seu caráter e não na sua cor' - isso fez-me entender o que é possível no mundo quando pessoas corretas, pessoas de boa vontade, trabalham juntas por uma causa maior", disse Obama.

Obama deixou claro que Mandela ainda é muito importante na sua própria psique política. "Acho que ele é um herói para o mundo. Se e quando partir desse mundo, acredito que todos nós concordaremos que o seu legado permanecerá vivo ao longo da história". / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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