REUTERS/Abdalrhman Ismail
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Por que o gás de cloro continua sendo usado na Síria?

Ataque com a substância em subúrbio de Alepo nesta semana deixou 4 mortos e fez retomar discussões sobre armas químicas

RUSSELL GOLDMAN / THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2016 | 05h00

O uso do gás de cloro contra civis na cidade síria de Alepo deveria ser investigado como crime de guerra, de acordo com um alto diplomata da ONU. Foi um preocupante alerta sobre a persistência do uso de armas químicas improvisadas na Síria, apesar dos esforços internacionais para destruir os estoques clandestinos dessas armas no país. Segundo testemunhas, pelo menos quatro pessoas morreram quando quatro barris contendo o gás foram lançados quarta-feira sobre Zubdiya, um subúrbio dominado pelos rebeldes na parte oriental de Alepo. O ataque foi o mais recente de uma série de ações com o gás que mataram ou feriram inúmeras pessoas nos cinco anos da guerra civil.

O cloro é um dos elementos mais comuns encontrados na natureza e tem grande variedade de usos benéficos. Serve para fazer pesticidas, desinfetantes hospitalares e deixar limpa e potável a água. É um produto de uso legal, mas também gera um dos primeiros gases químicos usados como arma, já na 1.ª Guerra. Tem sido comumente utilizado na preparação de bombas. 

O gás de cloro foi reintroduzido como arma de guerra no Oriente Médio durante a ocupação americana do Iraque, quando rebeldes fizeram bombas improvisadas. Ele é classificado como agente de sufocação e quando inalado na forma concentrada, enche os pulmões de líquido, levando à asfixia. De cor amarelo-esverdeada, é extremamente corrosivo para os olhos, pele e aparelho respiratório. 

Destruição. Em 2013, o presidente da Síria, Bashar Assad, frente à ameaça de um ataque americano, concordou em aderir à Convenção de Armas Químicas e encaminhar para destruição milhares de toneladas de agentes mortíferos. O acordo, fechado entre Rússia e EUA, levou à destruição da maior parte das mais perigosas armas químicas, incluindo gás Sarin, que ataca o sistema nervoso, e gás mostarda, que irrita a pele. 

O uso do gás de cloro como arma foi banido sob a Convenção de Armas Químicas, mas como é largamente usado com fins legais, não foi incluído na erradicação total de armas químicas da Síria. 

Rebeldes e governo sírio acusaram-se mutuamente, e ambos acusaram o grupo Estado Islâmico (EI) de usar gás de cloro como arma química na Síria. Em ataques recentes, testemunhas disseram ter visto “barris-bomba” sendo jogados de helicópteros. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

* RUSSELL GOLDMAN É JORNALISTA

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