Por que os EUA permitem que as mortes continuem?

Cenário: Gregory Gibson

É PAI DE GALEN GIBSON, JOVEM MORTO PELO , ATIRADOR WAYNE LO NO SIMONS ROCK COLLEGE, , EM 1992, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2012 | 02h02

Minha mulher e eu ficamos sabendo sobre o massacre na escola de Connecticut a caminho de casa após deixarmos o cemitério, onde fomos por ocasião do 20.º aniversário do assassinato de nosso filho. Galen, que tinha 18 anos, e um professor foram assassinado em dezembro de 1992 por um estudante perturbado que saiu atirando contra colegas do Simon's Rock College, no oeste de Massachusetts.

Galen era um jovem talentoso e o Simon's Rock parecia perfeito para seu perfil. Ele nunca tinha estado tão feliz. O assassino, no entanto, teve uma reação vastamente diferente daquele ambiente. Após desentendimentos com funcionários, ele prometeu "colocar a faculdade de joelhos".

O assassino comprou um fuzil SKS em uma loja de armas no fim da rua e adquiriu carregadores tamanho grande e munições pelo correio. No despertar do assassinato de Galen, eu escrevi um livro sobre o tiroteio, no qual sugeria que nós deveríamos encarar os crimes com armas como uma questão de saúde pública, da mesma forma como o fumo ou a exposição a pesticidas. Passei muitos anos frequentando reuniões, assinando petições, escrevendo cartas e fazendo discursos, mas, finalmente, eu desisti.

O controle de armas, uma questão tão viva nos primeiros dias dos tiroteios em escolas, inexplicavelmente se tornou um assunto de terceiro escalão para os políticos. Eu acabei por me dar conta, em essência, de tudo é como nós, nos Estados Unidos, desejamos que as coisas sejam. Nós queremos nossa liberdade e nós queremos nossas armas de fogo. Se temos de suportar ocasionais tiroteios em escolas, que assim seja. É uma vergonha terrível, mas, aqueles caras na China não fazem exatamente a mesma coisa com uma faca?

Ainda assim, qualquer que seja a sua posição sobre o controle de armas é impossível não reagir com horror às notícias dos disparos em Connecticut. Nosso horror ganha novas nuances quando tomamos conhecimento do que aquelas famílias estão passando e o que ainda terão de enfrentar nos anos que virão.

Mais terrível ainda - para mim, pelo menos - é o lamento inevitável. "Como pudemos deixar que isso acontecesse?" É uma pergunta horrenda, porque a resposta não é simples. Deixe que as pessoas adquiram armas facilmente e coisas assim irão acontecer. As crianças continuarão pagando por uma liberdade que os mais velhos desfrutam.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.