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Por que os jamaicanos correm tão bem?

Dos 25 maiores tempos já registrados nos 100 metros rasos, 19 são de jamaicanos

Hélio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2016 | 03h00

Não é só Usain Bolt. Dos 25 maiores tempos já registrados nos 100 metros rasos, 19 são de jamaicanos, diz o sociólogo Orlando Patterson, da Universidade Harvard. Por que um país com apenas 2,8 milhões de habitantes produz tantos velocistas excelentes? Nada a ver com a genética, nem com a lenda segundo a qual crianças são mais livres para correr, num país sem cobras.

Patterson atribui o sucesso jamaicano a dois motivos. Primeiro, a corrida é o esporte nacional. Campeonatos juvenis de atletismo reúnem todo ano 30 mil jovens e selecionam os melhores talentos. Segundo, boas práticas de saúde, implantadas desde os anos 20, aumentaram a expectativa de vida de 36 anos, em 1920, para 70 anos, em 1977, poucos anos antes do nascimento da geração de Bolt.

Um programa da Fundação Rockefeller investiu em controle da malária, coleta de esgoto, isolamento de tuberculosos e educação. Crianças convivem desde cedo com slogans como “corpo sadio, mente sadia” ou “limpeza aproxima da divindade”. “A Jamaica é um exemplo de país pobre com alta expectativa de vida que não seguiu um caminho socialista”, escreve o historiador James Riley no livro The Jamaica Paradox. “O sucesso jamaicano pode ser explicado não pelo apego a atitudes singulares e excepcionais, mas por medidas simples, disponíveis a qualquer país.”

A virada de costas de Lochte

A malandragem de Ryan Lochte não se resume às mentiras que contou à polícia carioca. Ele foi proibido de usar, nas provas de medley, sua virada revolucionária. Em vez de sair nadando de frente, Lochte dá impulso com o pé na parede da piscina e, de costas, desliza pelo fundo d’água, abaixo dos demais nadadores. Sob a turbulência, economiza um segundo nos 200 metros nado livre. Nessa prova, pode usar a virada, desde que venha à tona antes dos 15 metros.

A banana na mente de Lochte

Adepto do aplicativo de paquera Tinder e de relações fugazes, Lochte já foi estrela do próprio reality show na TV. O programa foi cancelado depois de um mês no ar em 2013. Numa das declarações mais insólitas, Lochte disse num episódio que às vezes algo estranho lhe vem de repente à mente, como uma “banana saltitante”.

A banana no salto com vara

Ao vencer o salto com vara na Olimpíada de Moscou, em 1980, sob a vaia ensurdecedora do estádio que torcia contra, o polonês Wladislaw Kozakiewicz deu uma senhora banana para a plateia. Para tirar o ouro de Thiago Braz, o francês Renaud Lavillenie poderia ter se inspirado em Kozakiewicz. Em vez de prestar atenção à vaia – nem foi tão forte, fui testemunha –, bastaria ter saltado mais alto.

Alons, enfants de la patrie!

Lavillenie não foi o único francês criticado como mau perdedor. O jornal Le Monde lembrou a nadadora Aurélie Muller, desclassificada na chegada da maratona aquática por atitude anti-esportiva; o nadador Camille Lacourt, que acusou o chinês vitorioso Sun Yang de doping; e os treinadores dos judocas derrotados Cathy Fleury e Pierre Duprat, que puseram a culpa no juiz.

O texugo do mel de Donald Trump

Sempre de bermudas e chinelos, rico com os royalties que recebe por ter investido no seriado Seinfeld, o novo chefe da campanha de Donald Trump à Presidência, Steve Bannon, transformou o site Breitbart News no veículo mais agressivo da direita americana. Seu lema se inspira num animal feroz que devora pássaros, cobras, ratos e até larvas de abelha: “O texugo do mel não dá a mínima”.

O intelecto do novo braço-direito de Putin

O novo braço-direito de Vladimir Putin, Anton Vayno, já apresentou planos para um “nooscópio”, rede de escaneadores – de leitores de cartões bancários a “poeira inteligente” – capazes de varrer o conhecimento humano numa espécie de mente coletiva. Em livro de 2012, destaca o sambô, arte marcial praticada por Putin, como chave para o domínio global. “Que significa tudo isso?”, pergunta Masha Gessen, perplexa, em artigo na New Yorker.

 

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