Por Shannon, Obama mantém taxa de etanol

Casa Branca negocia no Congresso nomeação de embaixador no Brasil

Gustavo Chacra, O Estadao de S.Paulo

30 de julho de 2009 | 00h00

A Casa Branca informou ontem que não pretende remover a tarifa aplicada ao etanol importado do Brasil, posição que contrasta com a do diplomata Thomas Shannon, nomeado pelo presidente Barack Obama para ser embaixador americano em Brasília.Em depoimento à Comissão de Relações Exteriores do Senado, Shannon havia afirmado ser a favor da eliminação da tarifa porque tanto os EUA quanto o Brasil seriam beneficiados no longo prazo. A declaração irritou os produtores de milho de Iowa e levou o senador republicano Charles Grassley, que tem forte ligação com eles, a publicar uma carta pedindo esclarecimentos à Casa Branca e ameaçando colocar obstáculos para a nomeação de Shannon.O governo de Obama, para evitar um embate com os senadores republicanos, que poderia atrasar a aprovação de seu nome, divulgou nota afirmando que não há planos para alterar a tarifa para o etanol brasileiro. A posição de Obama, apesar de divergir da de Shannon, atual subsecretário de Assuntos do Hemisfério Ocidental, abriu caminho para sua aprovação para o posto em Brasília. A comissão de Relações Exteriores já o aprovou por 14 votos a 4, com uma abstenção. Agora, o Senado deve confirmar sua aprovação. Se a Casa Branca não se manifestasse, havia o risco de serem necessários 60 votos dos 100 senadores para que Shannon fosse referendado como embaixador no Brasil.O etanol brasileiro, produzido a partir da cana-de-açúcar, é mais competitivo do que o americano, feito de milho. No entanto, as principais plantações de milho no país estão em Iowa, Estado onde Obama conquistou sua primeira grande vitória nas primárias democratas. Os produtores da região também possuem um forte lobby em Washington para impor barreiras à entrada do etanol brasileiro.

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