AP Photo/ Wong Maye-E
AP Photo/ Wong Maye-E

Por US$ 55, uma viagem à fronteira entre as Coreias

Tensão com EUA aumenta procura por pacotes

Pedro Venceslau ENVIADO ESPECIAL / SEUL, O Estado de S.Paulo

17 Abril 2017 | 05h00

Turistas que procuraram ontem a agência Cosmo Jin Tour, em Seul, em busca de passeios para a fronteira com a Coreia do Norte foram informados que estão disponíveis pacotes que vão de US$ 55 a US$ 137. O tour completo inclui a entrada em um túnel usado como rota de fuga para os norte-coreanos e fotos com soldados na zona desmilitarizada. 

Os panfletos da agência mostram fotos de soldados e tentam criar um clima de tensão, mas é tudo jogo de cena. O atendente informa à reportagem que é preciso reservar com antecedência, porque a tensão com os EUA aumentou a procura pela “aventura”.

 A ameaça de conflito não alterou a rotina de Seul. Enquanto o tema domina o noticiário da CNN, na TV sul-coreana as ameaças são mais uma notícia na escalada do dia. Apesar de a Coreia do Norte ter poder de fogo para atingir Seul a qualquer momento, não há fila nos supermercados nem congestionamento nas estradas. 

“As pessoas encaram com trivialidade a possibilidade de conflito e não deixam que isso afete a rotina”, disse Renato Ramalho, especialista em Coreia do Norte da Universidade de Seul. Segundo ele, a preocupação varia conforme a idade. 

“Quanto mais idoso, mais chance de ser conservador e estar preocupado.” Carlos Gorito, brasileiro que vive há 9 anos em Seul, onde apresenta um programa de TV, lembra que todos os anos a tensão aumenta entre março e abril. “Em português, dizemos que cão que ladra não morde. Isso explica o espírito dos coreanos. Não acredito que exista risco real de confronto.” 

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