Poroshenko anuncia plano de paz, mas não dialoga com rebeldes

Novo presidente da Ucrânia anunciou anistia para milicianos que não cometeram delitos de sangue contra Exército e população civil

O Estado de S. Paulo

07 de junho de 2014 | 11h11

KIEV - O novo presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, que foi investido no cargo neste sábado, 7, no Parlamento, anunciou que apresentará um plano de paz para o conflito no leste pró-Rússia, mas rejeitou o diálogo com os insurgentes.

"Quero a paz e alcançarei a unidade da Ucrânia. Por isso começo minha gestão com uma proposta de plano de paz", disse Poroshenko durante seu discurso de posse.

Embora ainda não sejam conhecidos os detalhes do plano, Poroshenko adiantou que viajará em breve ao leste do país "com a paz" como bandeira.

"Com um projeto de descentralização do poder, com a garantia do uso da língua russa em suas regiões. Com a firme intenção de não dividir os ucranianos em bons e maus. Com respeito às particularidades das regiões", disse.

"Isso sim, hoje necessitamos de um parceiro legítimo para o diálogo", destacou, antecipando que convocará eleições municipais nas regiões rebeldes do leste russófono.

"Não vamos falar com os bandidos", acrescentou, em alusão aos dirigentes das autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Luhansk, que proclamaram no dia 12 de maio sua independência após referendos separatistas.

A esse respeito, anunciou uma ampla anistia para aqueles milicianos que não tenham cometido delitos de sangue contra as forças governamentais e a população civil, e aqueles que não tenham financiado as atividades dos terroristas.

Poroshenko disse que convocará eleições parlamentares antecipadas, mas insistiu que o único idioma estatal é o ucraniano e descartou a federalização do país, como pedem os insurgentes e o Kremlin.

"Os sonhos de federalização não têm fundamento na Ucrânia. Os conselhos locais receberão novas faculdades, mas a Ucrânia foi e será um Estado unitário", assinalou.

Quanto às tensas relações com o Kremlin, o novo chefe de Estado ressaltou que "os cidadãos da Ucrânia não viverão em paz e segurança até que normalizemos as relações com a Federação Russa".

Ao mesmo tempo, denunciou que a "Rússia ocupou a Crimeia", em alusão à anexação da península por Moscou promulgada no dia 21 de março pelo presidente russo, Vladimir Putin.

"A Rússia ocupou a Crimeia, que foi, é e será ucraniana. E isto disse ontem aos dirigentes russos na Normandia nos festejos pelo 70.º aniversário: A Crimeia é e será ucraniana. Ponto final", assegurou.

O novo presidente assegurou que Kiev deve assinar em breve um Acordo de Associação com a União Europeia (UE), cujo rejeição foi o estopim dos protestos que desembocaram em fevereiro na derrocada do presidente Viktor Yanukovich.

Poroshenko ressaltou que esse acordo será o primeiro passo para o futuro ingresso da Ucrânia na UE durante um discurso de posse em presença do presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. / EFE

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