Porque os jornais da Venezuela não conseguem papel

Os jornais da Venezuela estão morrendo, mas não em razão do mercado. Estão sendo eliminados por um governo rancoroso - em razão do papel dos órgãos de imprensa em 2002. Caracas passou a considerar a mídia independente um inimigo a ser vencido quando esses meios de comunicação incentivaram manifestações que levaram a um golpe contra o então presidente, Hugo Chávez. Desde então, tem subjugado emissoras de rádio e TV. Mas jornais são mais difíceis de dominar. Autoridades começaram a limitar o espaço de propaganda nos impressos e a recusar anúncios em jornais oposicionistas, mas a crise está chegando a um ponto de saturação, principalmente porque o governo recusa-se a vender aos jornais os dólares que eles necessitam para adquirir papel.

ANÁLISE: Juan Nagel* / FOREIGN POLICY,

12 de fevereiro de 2014 | 21h24

O El Nacional, um dos principais diários de Caracas, anunciou em janeiro uma redução de 40% em razão da falta do insumo. O jornal afirmou que tem reservas para apenas mais algumas semanas. Outros jornais estão na mesma situação. Publicações de menor porte já fecharam.

Para acelerar as transações de divisas, o governo anunciou em janeiro que aumentaria a oferta por meio de leilões, mas nenhum ocorreu. A alegação é que a Venezuela teria receita com a venda de apenas 1,5 milhão dos 2,8 milhões de barris de petróleo que produz por dia - grandes volumes são vendidos com desconto para aliados ou em troca de fundos que o país já recebeu e gastou. O desaparecimento de jornais é péssimo para a liberdade no país, cujo acesso à internet está abaixo da média na região e a velocidade da conexão é uma das mais baixas do mundo. Para os venezuelanos, os jornais são uma fonte vital de informação e de entretenimento. Antigamente, os burocratas do governo censuravam a imprensa determinando quais fatos podiam ou não ser relatados. Cortar o suprimento de papel não é uma medida tão flagrante, mas é igualmente eficaz.

TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

*JUAN NAGEL É BLOGUEIRO

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