Porta-aviões é ponto de partida das forças especiais norte-americanas

A base secreta das forças especiais dos Estados Unidos, de onde estão saindo grupos de soldados das forças de operações especiais lançados no sul e no nordeste do Afeganistão, é o porta aviões VC-63 Kitty Hawk, modificado para se transformar em um centro móvel de ataque, grande como dois campos de futebol e alto como um prédio de 11 andares. Um número desconhecido de combatentes, estimado entre 400 e 2.500 homens e mulheres, foi deslocado para o grande navio, adaptado ao perfil da missão de acordo com projeto desenvolvido pelos estaleiros construtores, o consórcio Newport News Docks/New York Shipyards. A bordo o regime é de alerta máximo: os pilotos que não estão no ar permanecem no convés de vôo dentro dos supersônicos F-14 e F-18 prontos para serem lançados. Os esquadrões SOF (Forças de Operações Especiais) se mantêm em Condição Delta: equipados, armados e a 5 minutos da decolagem dos seus helicópteros de transporte e bombardeio. Navegando em um ponto não revelado do Mar da Arábia, o Kitty Hawk, de 81 mil toneladas, abriga nessa viagem um avançado sistema 3C&I - Centro Integrado de Comando, Comunicação, Controle e Inteligência - destinado à coordenação das ações dos soldados. O equipamento eletrônico está instalado em dois grandes contêineres climatizados diante da ilha do porta- aviões, a grande estrutura lateral à pista de pouso e decolagem. Abaixo desse convés, em um pavimento intermediário de 150 metros de comprimento, normalmente utilizado como depósito, foram montados os alojamentos do pessoal, a unidade de comando executivo, as salas de situação e os módulos de instrução - de tiro, inclusive. O CV-63 é adequado a essa adaptação por conta dos amplos espaços internos. Desenhado em 1956, lançado em 1960 e comissionado pela Marinha em 1961, o Kitty Hawk passou por um extenso programa de modernização durante 33 meses, de 1991 a 1993. Nesse período o Pentágono decidiu prepará-lo para servir de base aeronaval móvel. O pessoal é um mix de equipes do 15º Grupo SOF, dos comandos Seal, da Marinha, dos Boinas-Verdes do Exército e da Força Delta. Não são os únicos: há soldados e agentes de organizações da inteligência também na linha de fronteira do Paquistão e do Uzbequistão. A partir do porta aviões, em equipes de 5 a 11 combatentes, as SOF se deslocam até um ponto de reunião (nesta sexta-feira é um aeroporto militar paquistanês) ou diretamente para a área de ação com helicópteros de transporte Black Hawk, guarnecidos pelos AH-64 Apache, armados com canhão M230 de 20 mm, 16 mísseis antifortificações e 76 foguetes de 70 mm. Nas operações com menor número de soldados são empregados dois outros tipos de helicóptero, o Bell Trooper, e o AH1-Cobra, dos marines, ágil como um caça, e quase tão pesadamente armado quanto o Apache. Para missões de grande alcance, entre os desfiladeiros inacessíveis ao ataque aéreo, os supersoldados, depois de lançados em helicópteros pesados do tipo Chinook, deslocam-se em uma espécie de buggy blindado, o veículo Commando Scout, semelhante a um carro de corridas cross-country, revestido de chapas de aço, capaz de rodar a 140 quilômetros por hora, dotado de metralhadoras, disparadores de mísseis e foguetes. Depois da operação são abandonados e destruídos no local com cargas explosivas de tempo. Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.