JEAN-PAUL PELISSIER|REUTERS-18|11|2015
JEAN-PAUL PELISSIER|REUTERS-18|11|2015

Porta-aviões francês cumpre missões de ataque na Síria

Maior equipamento das forças francesas, navio tem capacidade para abrigar até 1.900 militares em campanha

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

27 de novembro de 2015 | 23h35

A maior máquina de guerra francesa, o porta aviões nuclear Charles de Gaulle, está no Mediterrâneo, no litoral da Síria, lançando ataques contra posições do Estado Islâmico (EI). A primeira operação foi há quatro dias, imediatamente após a chegada à posição de combate.

A bordo do gigante de 262 metros (algo como 2,5 campos oficiais de futebol), há 16 ou 18 caças supersônicos Rafale M, 8 jatos Super Étendar, de ataque de precisão, mais dois turboélices de alerta avançado E-2 Hawkeye, e 8 helicópteros – três deles, artilhados.

Esse grupo de aviação vai trabalhar com dois esquadrões deslocados para a região há seis meses. Na Jordânia, estão 6 Mirage 2000/5 e, nos Emirados, 6 Rafale C, cumprindo missões diárias.

O Charles de Gaulle tem companhia. O Grupo de Batalha liderado pelo porta aviões é uma flotilha composta por duas fragatas, um submarino, um cargueiro abastecedor, e um destróier da Marinha britânica. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, liberou o uso da base aérea de Akrotiri, no Chipre, para os aviões de combate franceses.

Os primeiros dois alvos bombardeados pelos Rafale embarcados foram uma central de distribuição de energia e uma estação de comunicações. Nos dias seguintes, foi a vez de um campo de treinamento de recrutas do EI, depósitos de munições e uma instalação blindada onde eram manipulados explosivos.

Os 1.900 homens e mulheres tripulantes – 1.300 da força naval; 600 da divisão aérea – vão cumprir um período de quatro meses embarcados. Parte do time será substituído a cada 45 dias. A vida é intensa no navio de 42 mil toneladas. A atividade não para, dia e noite. Os caças são lançados e recolhidos, helicópteros decolam para observação eletrônica de longo alcance e há a tarefa permanente de limpar e organizar. O Charles de Gaulle tem mini mercado, biblioteca, duas igrejas e um núcleo hospitalar preparado para intervenções de alta complexidade.

A compensação, claro, está na espetacular academia e área de lazer, onde o cinema é capaz de oferecer, captando sinais de satélite, os mesmos filmes em exibição nas salas de Paris. A cozinha é outro destaque. No freezer, do tamanho de um apartamento médio, há espaço para 4 toneladas de carnes vermelhas, 2 toneladas de frango e 2,5 de peixes, além de grande variedade de doces, verduras e frutas E, claro, as possibilidades da culinária francesa. Na quinta-feira, dia de Ação de Graças, o jantar foi um sofisticado cassoulet – feijão branco, porco, pato e ervas.

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