Porta-voz da ANP acusa facções de criar caos em Gaza

O porta-voz do Governo da AutoridadeNacional Palestina (ANP), Ghazi Hamad, pertencente ao Hamas, atacouduramente através de um "exame de consciência" as facções armadas,às quais responsabiliza pela caótica situação na Faixa de Gaza epela grave crise econômica. Hamad, que reiterou hoje suas acusações em declarações emhebraico e exclusivas à rádio pública israelense, foi entrevistadodevido a um artigo divulgado no domingo em jornais eletrônicosPalestinos. "Gaza está sob a palmatória da anarquia e as espadas dofanatismo", escreveu Hamad, ex-editor jornalístico que trabalha comoporta-voz do Governo do primeiro-ministro da ANP, Ismail Haniyeh. Haniyeh está atualmente negociando com o presidente da ANP,Mahmoud Abbas, do movimento nacionalista Fatah, a formação de umgoverno palestino de união nacional. "Lembro o dia em que Israel acabou de se retirar de Gaza (em 12de setembro do ano passado), e quando o povo foi às ruas paracomemorar o que muitos viram como uma derrota ou a retiradaisraelense, e escutávamos entre os políticos promessas detransformar este território em uma área de comércio e indústria",disse. Por outro lado, "a vida se tornou um pesadelo, e uma cargaintolerável" para a população. "Quando alguém anda por Gaza não podemenos que fechar os olhos: o que se vê é um caos inimaginável,apáticos policiais, jovens armados e famílias de luto recebendoCondolências". Hamad afirmou que, desde a retirada israelense, que veio depoisdo desmantelamento dos assentamentos judaicos de Gaza, cerca de 500palestinos morreram e 3.000 foram feridos. Estas pessoas foram vítimas de incursões militares de Israel emresposta, entre outros, aos lançamentos de foguetes Qassam contraseu território, mas também dos confrontos entre as facções. Em comparação a esse número de vítimas, diz Hamad, três ou quatroisraelenses morreram no mesmo período. "Nós sempre temos medo de falar de nossos erros, estamoshabituados a culpar os outros", afirma. "Que relação têm com aocupação (israelense), o caos, a anarquia, o roubo de terras, osassassinatos indiscriminados ou as rivalidades familiares?". O porta-voz do Governo de Haniyeh também afirma em seu artigo queos palestinos estão "presos pelas teorias da conspiração, o quelimitou nossa capacidade para pensar". "Todos fomos atacados pela bactéria da estupidez", lamenta."Perdemos o sentido da orientação e não sabemos para onde noslevam", acrescentou. No entanto, dirigindo-se finalmente aos grupos armados em seu"exame de consciência", Hamad pediu que,"por favor, tenham piedadede Gaza. Tenham piedade de nós por sua demagogia, pelo caos, pelasarmas, pelos assassinatos e pelas lutas internas".

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