Porta-voz da polícia tailandesa apóia renúncia de premier

Em meio a novos protestos, a campanha para forçar a renúncia do primeiro-ministro Thaksin Shinawatra ganhou nesta terça-feira o inesperado apoio do porta-voz da polícia nacional da Tailândia. Milhares de pessoas reuniram-se pela terceira noite consecutiva para ouvir discursos de oradores denunciando o chefe de governo da Tailândia por corrupção e abuso de poder. Thaksin, por sua vez, insistiu que não cederá às pressões. Dezenas de manifestantes da oposição seguiram em passeata até a Embaixada de Cingapura, em Bangcoc, para protestar contra o acordo feito entre a família de Thaksin e uma companhia estatal da nação insular. A família do primeiro-ministro vendeu o controle da gigante das telecomunicações Shin Corp. à uma companhia estatal de investimentos de Cingapura pelo equivalente a US$ 1,9 bilhão. Os críticos denunciam irregularidades na transação e queixam-se que um setor importante para o país ficará agora sob controle de uma empresa estrangeira. A grande surpresa do dia foi a entrevista coletiva na qual o general Archirawit Suphanaphesat, porta-voz da polícia nacional tailandesa, disse acreditar que a única solução para a atual crise política é a renúncia do primeiro-ministro. Em um raro abandono da política de imparcialidade da polícia nacional, Archirawit disse que enviou uma carta pessoal a Thaksin pedindo a ele que "não retome o cargo de primeiro-ministro" mesmo que seu partido, o Thai Rak Thai, vença as eleições previstas para o próximo mês. O general salientou que suas declarações representam sua opinião pessoal e não estava claro se seus comentários refletem a posição de outros comandantes da influente polícia nacional. Analistas, entretanto, salientaram que o general Archirawit provavelmente recebeu autorização de algum de seus comandantes para tornar pública sua posição. O controle sobre a burocracia é visto como uma importante arma política por qualquer governo, especialmente nos momentos que antecedem uma eleição. A perda de apoio entre os servidores públicos civis poderá representar um duro golpe às aspirações de Thaksin de perpetuar-se no poder. "Eles não podem exigir que uma pessoa que chegou ao poder por meios democráticos seja removida de forma antidemocrática. Tenho de proteger a democracia com todas as minhas forças", disse Thaksin a jornalistas. Thaksin dissolveu o Parlamento no mês passado e convocou novas eleições com o aparente objetivo de reeleger-se e desmobilizar as crescentes manifestações populares contra seu governo. Ele prometeu renunciar caso seu partido não consiga mais da metade dos votos no pleito previsto para 2 de abril.

Agencia Estado,

07 Março 2006 | 19h49

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