Porta-voz de Keiko é destituído por dizer que Fujimori matou menos que outros

'Eu não estou de acordo, espero que ele a corrija', afirmou a candidata, para depois explicar que Jorge Trelles tentou fazer uma reflexão sobre o relatório final da Comissão da Verdade e Reconciliação

Efe,

20 de maio de 2011 | 02h51

LIMA - O partido da candidata à Presidência do Peru Keiko Fujimori destituiu na quinta-feira, 19, seu porta-voz, Jorge Trelles, após este ter declarado que durante o governo de Alberto Fujimori (1990-2000) morreram menos pessoas que em regimes anteriores.

 

"Em todo caso, nós matamos menos que os dois governos que nos antecederam", afirmou Trelles ao ser questionado em um programa de televisão sobre as acusações relacionadas aos crimes cometidos durante a gestão de Fujimori, que cumpre uma condenação de 25 anos de prisão por violações dos direitos humanos.

 

As declarações geraram uma onda de críticas contra Trelles e o "fujimorismo", pelo que Keiko se apressou em rejeitar as palavras de seu porta-voz, enquanto seu candidato à primeira Vice-Presidência, Rafael Rey, comunicou sua destituição.

 

Keiko, que segundo as pesquisas tem pequena margem de vantagem sobre o nacionalista Ollanta Humala, seu rival no segundo turno do pleito presidencial de 5 de junho, assinalou que foi "uma frase infeliz" de Trelles.

 

"Eu não estou de acordo, espero que ele a corrija", afirmou a candidata, para depois explicar que seu porta-voz tentou fazer uma reflexão sobre o relatório final da Comissão da Verdade e Reconciliação (que estabeleceu uma apuração de vítimas nos anos do terrorismo e do contraterrorismo, 1980-2000).

 

Segundo Keiko, Trelles estava fazendo um comentário sobre o fato de a CVR supostamente ter certificado que no governo de seu pai houve menos "desaparecidos".

 

Ollanta Humala, por sua vez, considerou "condenável, vergonhosa e contra a moral" a afirmação de Trelles e disse que lhe dá "pena competir" nas eleições presidenciais com um projeto político que se expressa nesses termos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.