Olivier Hoslet, Pool Photo via AP
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Porta-voz do governo se confunde e chama Eduardo Bolsonaro de chanceler

General Otávio Rêgo Barros trocou o nome de Ernesto Araújo pelo do filho do presidente ao falar do avanço das negociações de acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia

Célia Froufe e Beatriz Bulla, Enviadas Especiais / Osaka, Japão

28 de junho de 2019 | 11h18

OSAKA, JAPÃO - Dentro e fora do governo brasileiro circulam avaliações de que, apesar de o ministro das Relações Exteriores ser Ernesto Araújo, o cargo muitas vezes tem sido desempenhado por Eduardo Bolsonaro - deputado federal e filho do presidente Jair Bolsonaro, que acompanha o pai em viagens internacionais. 

Nesta sexta-feira, 28, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, deixou escapar uma troca de nomes que reforça esse tipo de análise.

Durante uma atualização sobre as negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE), em entrevista à imprensa no primeiro dia da reunião das 20 maiores economias do mundo (G-20), Rêgo Barros disse que havia sido informado por autoridades brasileiras em Bruxelas de que as tratativas estavam avançadas. "Eu conversei com Otávio Brandelli (secretário-geral do Itamaraty), que está em contato com o ministro Eduardo... com o ministro Araújo, lá em Bruxelas", disse.

Um dos episódios envolvendo Eduardo, que é presidente da Comissão das Relações Exteriores da Câmara, e Ernesto Araújo foi nos Estados Unidos, durante o primeiro encontro entre Jair Bolsonaro e o presidente americano, Donald Trump. Na ocasião, o chanceler teria se exaltado por causa da participação de Eduardo no encontro privado entre os dois líderes.

Outro envolve a mesma visita aos EUA, mas se deu no Congresso, conforme relatos da imprensa. O deputado Glauber Braga, do PSOL/RJ indagou sobre a visita do presidente à Central de Inteligência Americana (CIA) e antes que Araújo respondesse, Eduardo começou a responder e depois disse que o ministro continuaria respondendo. Braga então disse que era melhor que o ministro nomeado respondesse, e não o de facto.

Em abril, o Estado também tratou dessa questão, dizendo que, articulador de viagens presidenciais, Eduardo virou uma espécie de chanceler paralelo.

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