Natacha Pisarenko/AP
Natacha Pisarenko/AP

Porta-voz kirchnerista sugere prisão da mãe de Nisman

Chefe de gabinete argentino, Aníbal Fernández, fez declarações após arma calibre 22 ser apreendida na casa da mãe do promotor

Rodrigo Cavalheiro, Correspondente / Buenos Aires, O Estado de S. Paulo

16 de abril de 2015 | 15h14

BUENOS AIRES - O chefe de gabinete argentino, Aníbal Fernández, afirmou na manhã desta quinta-feira, 16, que se fosse o encarregado da investigação da morte de Alberto Nisman teria ordenado a prisão de Sara Garfunkel, mãe do promotor encontrado com um tiro na cabeça no dia 18 de janeiro em seu apartamento. Segundo o porta-voz do governo de Cristina Kirchner, conhecido por declarações controvertidas e politicamente incorretas, há sinais de que ela está obstruindo a apuração da morte do filho. 

Na terça-feira, depois de a mãe de Nisman depor diante da promotora Viviana Fein, foi apreendida em sua casa uma pistola calibre 22, que a depoente disse ter encontrado há duas semanas em um envelope, dentro de um baú com objetos deixados por Nisman em 2011, quando ele se separou da juíza Sandra Arroyo Salgado.


Sara foi a primeira a chegar ao apartamento de Nisman e tinha a chave dos dois cofres, encontrados vazios. "Que fazia essa pistola nas mãos da mãe? O que ela sabe? Quantas horas esteve no apartamento? Havia uma carta suicida do promotor?", questionou o chefe de gabinete, levantando a hipótese de ela ter tirado do local objetos que poderiam ser uma carta de despedida ou com ameaças de credores ou devedores. 

Após a descoberta da pistola, a ex-mulher de Nisman disse na quarta-feira que o fato "mudava toda a investigação". Ela argumentou que o promotor não teria por que pedir uma arma emprestada a Diego Lagomarsino, técnico em informática que trabalhava para Nisman e disse ter cedido sua arma a pedido do chefe, que segundo ele desejava proteger suas duas filhas. Dessa pistola, também calibre 22, saiu o disparo que matou Nisman. 

A promotora Viviana, que comanda a investigação, afirmou após a apreensão da arma na casa de Sara que aquilo "não mudava nada". Um dos guarda-costas de Nisman afirmou em depoimento que o promotor tinha também lhe pedido uma arma emprestada, corroborando a versão de Lagomarsino. Fernández ironizou o fato de estar de acordo com a ex-mulher de Nisman. "A presença da arma muda todo o eixo de investigação. Deve se a primeira vez que concordo com a juíza Arroyo Salgado". 

O governo tem atacado o trabalho e a vida privada do promotor, como estratégia para enfraquecer a denúncia que ele fez contra a cúpula kirchnerista, por acobertamento no caso do atentado contra a Associação Mutual Israelita-Argentina (Amia), em 1994. Nisman dizia ter provas de que um acordo feito em 2013 entre Argentina e Irã, para ouvir em Teerã os depoimentos dos acusados em uma Comissão da Verdade, envolvia, na prática, pactos comerciais e a retirada dos pedidos de prisão internacional emitidos pela Interpol contra parte dos iranianos.

O deputado governista Carlos Kunkel afirmou no fim de março que ex-mulher insistia na tese de assassinato porque isso permitiria à família receber o dinheiro de um seguro. A juíza respondeu esta semana que a apólice, de 23,8 mil pesos (R$ 8 mil), seria paga mesmo na hipótese de um suicídio. Uma perícia contratada por ela, à frente da qual estão alguns dos maiores especialistas do país, garante que Nisman foi assassinado. A linha de investigação oficial aponta para um suicídio.

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