Andres Martinez Casares/REUTERS
Andres Martinez Casares/REUTERS

Após protestos, oposição no Haiti inicia greve de 2 dias

Manifestantes pedem renúncia do presidente Jovenel Moise, investigado por corrupção; organizadores apontam que ao menos 7 pessoas foram mortas e há mais de 100 feridos

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2019 | 16h04

PORTO PRÍNCIPE - A capital do Haiti amanheceu paralisada nesta segunda-feira, 10, após a convocação de uma greve nacional de dois dias. A interrupção foi convocada após uma onda de protestos violentos que tomaram conta do país no domingo e pediam a renúncia do presidente Jovenel Moise. 

Tanto o transporte público quanto escolas e estabelecimentos comerciais não ficaram abertos em Porto Príncipe. Rodovias ao redor da capital também permaneceram bloqueadas com barricadas e tiros foram ouvidos por moradores em várias regiões da cidade. 

Números oficiais apontam 2 mortos e 5 feridos nos confrontos, enquanto um dos líderes da oposição estima que ao menos 7 pessoas foram mortas e mais de 100 estejam feridas. Doze manifestantes foram presos após atearem fogo a dois carros da polícia e dois edifícios. 

Testemunhas afirmam que a Guarda Presidencial teria sido responsável por uma das mortes, em frente ao palácio do presidente, após os seguranças atirarem contra um grupo de manifestantes. Outra morte teria sido causada após policiais apedrejarem um homem. 

O primeiro-ministro do país, Jean-Michel Lapin, lamentou nesta segunda “excessos que não puderam ser evitados” na repressão policial.

Corrupção. Moise é investigado por corrupção por recebimento de dinheiro irregular do programa Petrocaribe, pelo qual a Venezuela oferecia petróleo a preços abaixo do valor de mercado ao Haiti. O governo venezuelano repassou milhões de dólares à Agritrans, empresa de Moise responsável pela execução de obras no Haiti que nunca saíram do papel ou estão paralisadas.

Outros membros do governo haitiano estão na mira das investigações, como o ex-presidente Michel Matelly e o ex-primeiro-ministro Laurent Lamothe.

Segundo investigação da Corte Superior de Contas do Haiti, existe uma rede de funcionários no governo que maneja a obtenção de contratos e concessões para amigos de Matelly. Durante sua gestão, ao menos 14 ex-servidores públicos desviaram US$ 3,8 bilhões.

Em fevereiro, a Corte definiu como “grave” o gasto superior a US$ 2 milhões dos fundos da Petrocaribe entre 2008 e 2016, equivalente à metade dos recursos provenientes pelo programa nesse período. Quinze ex-ministros, além de atuais funcionários, estariam envolvidos no esquema.

As crises econômica e política no Haiti agravaram-se em 7 de fevereiro, dia em que Moise completou dois anos no cargo. Na ocasião, o país completou oito dias de protestos pedindo sua renúncia, que ele rejeitou

A população haitiana também tem sofrido cortes diários na energia elétrica após o colapso da economia Venezuelana, que reduziu drasticamente o fornecimento de petróleo do programa Petrocaribe. / EFE, AP e AFP

Tudo o que sabemos sobre:
Haiti [América Central]

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.