EFE/ Antonio Cotrim
EFE/ Antonio Cotrim

Nos 45 anos da Revolução dos Cravos, Portugal abre museu antifascista

Inauguração do Museu da Resistência e Liberdade acontece na comemoração pelo fim da ditadura militar no país, no dia 24 de abril de 1974

Célia Froufe, Enviada Especial, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2019 | 17h00

LISBOA - Portugal celebra nesta quinta-feira, 25, os 45 anos da Revolução dos Cravos, que marcou o fim de um período de ditadura de 41 anos. Em meio às comemorações preparadas para hoje está a inauguração do Museu da Resistência e Liberdade, o primeiro no país que tratará da preservação da memória antifascista. O novo espaço está localizado na Península de Peniche, que fica a cerca de 100 quilômetros da capital, Lisboa.

O local escolhido não poderia ser mais emblemático. A Fortaleza de Peniche, de 1557, se transformou em uma prisão do Estado Novo do país. A ideia durante a ditadura era manter os presos em total isolamento. A imprensa local retrata nos jornais e ao longo da programação da televisão imagens internas do local, que abrirá suas portas hoje apenas de parte do complexo.

As reportagens revelam que ali foi o coração da censura militar à liberdade de expressão, principalmente aos veículos de comunicação e artistas, e lembram que o complexo era para ser transformado em um hotel há dois anos, numa prática que vem ocorrendo no país em locais históricos. A reversão da ideia do governo de liberar a fortaleza para o setor privado se deu depois de protestos realizados pela União de Resistentes Antifascistas Portugueses (Urap).

Hoje, um feriado nacional, o primeiro-ministro português, António Costa (Partido Socialista) fará a inauguração de um memorial que imprimirá no local o nome de 2.510 presos políticos que passaram pela fortaleza nessas quatro décadas - 40 deles ainda estão vivos. Para transformar o local em um museu, que será parcialmente inaugurado, o governo gastou € 3 milhões (R$ 13,2 milhões).

 

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