Portugal fecha as portas para imigrantes

Dez meses depois de iniciar o processo de legalização de imigrantes mais liberal da Europa, Portugal fechou as portas. A partir do dia último dia 30 de novembro, só vai conseguir papéis para trabalhar sem medo das blitz do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras quem obtiver a autorização de trabalho ou de residência no país de origem."Já estava previsto na publicação da lei de 10 de janeiro que com a publicação do estudo sobre as necessidades do mercado de trabalho, a legalização extraordinária ia terminar", afirma Marília Neres, do gabinete de comunicação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.Os pedidos de autorização de trabalho têm de ser feitos nos consulados portugueses no exterior. A não ser em casos excepcionais, só vai conseguir a autorização de trabalho quem apresentar um contrato com data anterior a 1º de dezembro.A medida atinge milhares de brasileiros que estão em Portugal. "Vai complicar a vida de muitos brasileiros", disse o cônsul do Brasil em Lisboa, Alfredo Tavares. O consulado do Brasil em Lisboa tem realizado uma média de 442 matrículas de cidadãos brasileiros por mês durante este ano e em novembro o número chegou a 508.Muitos não conseguiram documentos para se legalizar. "Aqui na Costa da Caparica, acho que só 50% dos brasileiros têm a autorização de trabalho. Há muitas pessoas que estão trabalhando mas os patrões não dão contrato. Alguns nem se importam com isso", disse o mineiro Sérgio Marinho que atende no bar Oficina um dos endereços mais procurados pelos brasileiros que vêm da região de Governador Valadares, em Minas Gerais. Muitos brasileiros chegam em Portugal e a única indicação que têm para conseguir casa e trabalho é o do bar.Segundo Sérgio, que está há dez anos em Portugal, nas últimas semanas o número de brasileiros em Portugal diminuiu. "Muita gente foi embora por causa do fim do ano. Outros não ficam aqui, porque não aguentam".Na legalização extraordinária, os brasileiros foram a segunda nacionalidade com maior número de vistos de trabalho atribuídos até 30 de novembro - faltam os processos que estão em andamento. O número de legalizados atingiu 22.426, ficando atrás dos ucranianos, que chegaram a 42.252. Com menos de 10.000 autorizações estão em terceiro e quarto lugar os moldavos e os romenos. No total, foram atribuídas até 30 de novembro 119.181 autorizações.Atualmente, os brasileiros são a segunda comunidade com maior número de pessoas legalizadas no país. Em primeiro estão os cabo-verdianos, com cerca de 52.000. Há 44.000 brasileiros. Não existem estimativas de quantos estão ilegais.

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