Beto Barata/PR
Beto Barata/PR

Portugal se despede de Mário Soares 

O corpo de Soares, coberto pela bandeira portuguesa, foi colocado ao lado do da sua mulher María Barroso, morta em 2015

O Estado de S. Paulo

10 Janeiro 2017 | 18h29

LISBOA - Milhares de portugueses prestaram nesta terça-feira, 10, as últimas homenagens ao ex-presidente socialista Mário Soares, considerado o pai da democracia. Ele foi enterrado no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. Líderes estrangeiros participaram das cerimônias, incluindo o presidente brasileiro, Michel Temer. 

O corpo de Soares, coberto pela bandeira portuguesa, foi colocado ao lado do da sua mulher María Barroso, morta em 2015. Durante o enterro, um navio de guerra ancorado no Rio Tejo disparou salvas de artilharia em homenagem a quem também foi duas vezes primeiro-ministro. 

Os portugueses se reuniram nas avenidas de Lisboa pelas quais passou o cortejo fúnebre. O trajeto incluiu o Parlamento e a sede do Partido Socialista. “Este país não voltará a conhecer um político como ele. Teve um papel decisivo em nossa história”, disse Rosa Pereira, auxiliar médica de 44 anos que participou do enterro de Soares, morto no sábado aos 92 anos. 

Os restos mortais do ex-chefe de Estado ficaram expostos desde segunda-feira na capela do Mosteiro dos Jerônimos, no bairro de Belém. Antes da saída do cortejo fúnebre, foi celebrada uma cerimônia no mosteiro, local emblemático na história de Portugal. Ali, Soares, então primeiro-ministro, firmou em 1985 o tratado de adesão de Portugal à Comunidade Econômica europeia, antecessora da União Europeia (UE). 

Várias personalidades assistiram à homenagem, entre elas, o rei Felipe VI da Espanha, Temer e o presidente do Parlamento Europeu, o social-democrata alemão Martin Schulz. 

Na cerimônia no mosteiro, João Soares, político e filho de Mário Soares, elogiou o “otimismo, a valentia, a determinação e a audácia” do ex-chefe de Estado. O primeiro-ministro socialista, Antonio Costa, em visita oficial à Índia, enviou uma videomensagem aos portugueses. “Nessa hora de disputa nacional, quero expressar nosso afeto e nossa gratidão por tudo que Mário Soares foi, e por tudo que ele fez”, disse Costa. 

Militante antifascista, fundador do Partido Socialista português, ministro das Relações Exteriores, duas vezes chefe de governo, presidente da república de 1986 a 1996 e eurodeputado, Soares foi um personagem fundamental na democracia portuguesa durante 40 anos. O líder encarnou por si mesmo a história recente de seu país. 

Seu papel foi particularmente importante no dia seguinte ao da Revolução dos Cravos, de 1974, no golpe de Estado militar que colocou fim a 48 anos de ditadura e a 13 de guerras coloniais. Derrotando o Partido Comunista de Alvaro Cunhal, Soares venceu as primeiras eleições livres organizadas em Portugal. / AFP  

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