Pedro Nunes/REUTERS
Pedro Nunes/REUTERS

Portugal terá novas eleições em 30 de janeiro, anuncia presidente

Impasse político encerrou seis anos de relativa estabilidade no país

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2021 | 19h15

LISBOA - As novas eleições em Portugal serão realizadas no dia 30 de janeiro, informou nesta quinta-feira, 4, o presidente do país, Marcelo Rebelo de Sousa, em discurso na televisão. O pleito antecipado foi convocado após o parlamento rejeitar o projeto de lei do orçamento de 2022 do governo socialista minoritário, encerrando seis anos de relativa estabilidade política.

“Em momentos como este sempre há solução na democracia, sem drama nem medos... devolver a palavra ao povo”, disse Sousa em seu discurso. “É a única forma de os portugueses decidirem o que querem para os próximos anos."

Dois anos antes do previsto, a campanha eleitoral deve começar logo após o dia de Ano Novo, disse ele.

O impasse político em Portugal começou quando o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português - membros da coalizão de esquerda que governa o país junto com o Partido Socialista - votaram contra o Orçamento. Rebelo de Sousa tentou negociar com os partidos do Parlamento uma solução para aprovar o Orçamento, mas não houve acordo

Pouco depois de Rebelo de Sousa convocar as eleições, o vice-líder dos Socialistas, José Luís Carneiro, disse que o seu partido tinha tentado "de tudo" para "evitar esta crise política" e apelou por comparecimento às urnas.

Uma pesquisa de opinião realizada pela Aximage com 803 pessoas mostrou que 54% dos entrevistados achavam que uma eleição antecipada seria "ruim para o país", com 68% acreditando que nenhum partido ganharia a maioria dos assentos no parlamento.

Os mercados reagiram com calma até agora, com o rendimento dos títulos de 10 anos de Portugal flutuando amplamente em linha com seus pares da União Europeia nos últimos dias, e caindo para os níveis de meados de outubro na quinta-feira.

O apoio aos socialistas de centro-esquerda pouco mudou em relação aos 36% que eles ganharam na última eleição nacional em 2019, com os social-democratas de centro-direita em segundo lugar, com cerca de 27%.

O único partido que pode se beneficiar claramente da eleição é o Chega, de extrema direita, que poderia emergir como a terceira força mais forte no parlamento, mas é visto por analistas políticos como um parceiro potencial muito tóxico para qualquer outro partido. /REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.