Portugal terá novo referendo sobre aborto

Portugal deu nesta quinta-feira um grande passo em direção à legalização do aborto quando o Parlamento aprovou a convocação de um referendo que colocará a questão nas mãos dos eleitores.O conservador país católico tem atualmente uma das mais restritivas leis de aborto da Europa, que só pode ser praticado nas 12 primeiras semanas da gravidez e apenas em caso de estupro, má-formação do feto ou se a saúde da mãe estiver em risco.Se aprovado no referendo nacional, o projeto de lei perante o Parlamento garantiria o direito ao aborto para todas as mulheres até a 10ª semana de gravidez.Na Europa, apenas a Polônia e Irlanda têm regras tão restritivas como as de Portugal, enquanto Malta proíbe o aborto em qualquer circunstância.Outros meios Atualmente, as portuguesas que podem arcar com a passagem viajam para a Espanha a fim de fazer um aborto. Ainda assim, estima-se que cerca de 10.000 mulheres são hospitalizadas todo o ano em Portugal devido a complicações decorrentes de abortos realizados em improvisadas clínicas clandestinas. O governo quer que isso acabe."Temos de pôr fim a essa praga de abortos clandestinos", disse na semana passada o primeiro-ministro Jose Sócrates. "Isto torna Portugal um país retrógrado".Durante os debates para a votação no legislativo, partidários defenderam a legalização do aborto."Nossas leis atuais dizem que uma mulher que aborta deve ser processada criminalmente", afirmou o deputado socialista Alberto Martins. "Isto é, no século 21 e na Europa, injusto, cruel, retrógrado e irracional".Mas não existe certeza de que os eleitores irão concordar com a nova lei, enquanto a poderosa Igreja católica continua fielmente contra a legalização do aborto.Um referendo em 1998 que legalizaria o aborto foi declarado nulo devido ao pequeno comparecimento às urnas, mas com o "Não" ganhando por estreita vantagem. Mais de 50% dos eleitores têm de votar para que o referendo seja validado.

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