EFE/Cynthia de Benito
EFE/Cynthia de Benito

Áustria vai receber pacientes de UTI de Portugal

Alemanha enviará médicos e equipamentos ao país, que enfrenta um rápido aumento de casos e está sobrecarregado

Redação, O Estado de S.Paulo

31 de janeiro de 2021 | 11h52

LISBOA - Portugal vai transferir pacientes com covid-19 em cuidados intensivos para a Áustria, anunciou ontem o chanceler austríaco, Sebastian Kurz, ao afirmar que a medida é um sinal de “solidariedade europeia”. 

“A pandemia do novo coronavírus representa enormes desafios para todos os países europeus. É uma exigência de solidariedade europeia ajudar rapidamente, e sem burocracia, a salvar vidas”, escreveu o político conservador em sua conta no Twitter. 

Kurz ofereceu a ajuda do governo austríaco, em conversa por telefone, ao primeiro-ministro português, António Costa. Ma ele ainda não indicou quantos pacientes na UTI seu país receberá. A Áustria e a agência noticiosa APA especificam que os dados serão divulgados pelas autoridades de saúde portuguesas. O chefe de governo austríaco lembrou que seu país já havia recebido pacientes da Itália, França e Montenegro para ajudá-los durante os picos da pandemia.

Os militares alemães, por sua vez, enviarão equipes médicas e equipamentos para Portugal pedido do governo português, anunciou ontem o Ministério da Defesa. Portugal disse no sábado que apenas 7 dos seus 850 leitos de UTI criados para casos covid-1 estavam vagos.

A revista alemã Der Spiegel disse que os militares planejam enviar 27 médicos e paramédicos a Portugal, que inicialmente deveriam permanecer lá por três semanas, assim como ventiladores fixos e camas de campanha para pacientes.

A nova onda de covid-19 colocou Portugal no limite de suas capacidades hospitalares e no sábado foram registradas 293 mortes. Desde o início da pandemia, mais de 12 mil mortes foram registradas, 5 mil delas apenas em janeiro. Com o rápido aumento do número de mortos, as funerárias de Portugal estão superlotadas.

A Áustria, por sua vez, está em seu terceiro bloqueio parcial desde 26 de dezembro, com lojas não essenciais fechadas e restrições de movimento. A medida permitiu reduzir as infecções para cerca de 1,5 mil por dia e o país de 8,9 milhões de habitantes tem uma incidência acumulada de 107 positivos por 100 mil habitantes em sete dias, o que liberou muitos leitos hospitalares. As mortes por covid-19 desde o início da pandemia ultrapassam 7,6 mil.

Milhares de pessoas enfrentaram ontem as tropas de choque em Viena durante uma manifestação da extrema direita contra as restrições ao coronavírus. A polícia de Viena proibiu vários protestos planejados para este fim de semana, incluindo o do opositor Partido da Liberdade, de extrema direita, sob o argumento de que os manifestantes geralmente não cumprem as regras de distanciamento social e frequentemente não usam máscaras. O Partido da Liberdade denunciou várias restrições como “loucura corona” e seus líderes enviaram mensagens contraditórias sobre questões como vacinação.

Seguindo os passos de outros países como Portugal, Alemanha ou Canadá, a França fechou suas fronteiras com países de fora da União Europeia a partir da meia-noite, exceto para viagens essenciais. No sábado, a Alemanha proibiu a maioria dos viajantes procedentes de países afetados pelas novas cepas, consideradas mais contagiosas. A decisão afeta Reino Unido, Irlanda, Portugal, Brasil, África do Sul, Lesoto e Suazilândia. /EFE e REUTERS

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