Portugueses protestam contra medidas de austeridade

Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas neste sábado em diversas cidades de Portugal para protestar contra as duras medidas de austeridade impostas pelo governo, que prolongam a recessão econômica no país e levaram o desemprego para níveis recordes.

Agência Estado

02 de março de 2013 | 16h29

O protesto, articulado nas redes sociais por grupos apartidários, visa não somente os políticos portugueses, mas também representantes da chamada troica de credores internacionais do país, formada por Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI). Uma equipe da troica está atualmente em Lisboa para a avaliação trimestral da implementação do programa de resgate destinado ao país.

Os manifestantes protestam contra os elevados aumentos nos impostos e os cortes nos salários dos servidores públicos, adotados pelo governo para tentar reduzir o déficit orçamentário. "Nós queremos a queda do governo, porque eles estão implementando um programa que está somente causando sofrimento para a população. As pessoas estão desesperadas, vendo sua renda cair fortemente, seus familiares e amigos sem emprego", afirma Nuno Almeida, um jornalista de 49 anos que ajudou a organizar o protesto.

Comparado com outros países em crise, como Espanha e Grécia, a situação em Portugal está muito mais calma. Mesmo assim, nas últimas semanas houve uma onda de protestos, principalmente contra autoridades do governo durante eventos públicos. O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, enfrentou dezenas de estudantes irritados quando entrou em uma universidade de Lisboa para fazer um discurso. Muitas vezes ele e seus ministros são interrompidos durante suas falas por manifestantes cantando o hino Grandola Vila Morena, que foi utilizado na Revolução dos Cravos, em 1974.

Neste sábado aconteceram protestos em quase 40 cidades portuguesas, além de manifestações de pequenos grupos de emigrantes portugueses em Madri e Paris. Na capital de Portugal, os manifestantes gritavam slogans como "Fora FMI" e "Abaixo a troica".

As autoridades têm dito que entendem os protestos da população mas não têm outra alternativa a não ser adotar as medidas de austeridade, para reduzir o déficit e tornar a economia mais competitiva. O plano tem dado resultado, já que os investidores estão cobrando juros menores para emprestar ao governo.

Mesmo assim, sindicatos e partidos de oposição dizem que o governo se preocupa muito com os mercados financeiros e pouco com a população. "O país não pode aguentar mais austeridade. O que nós precisamos é um governo que responda aos problemas portugueses, que entenda que nossos problemas só estão crescendo", comenta Antonio José Seguro, um dos principais líderes da oposição.

Passos Coelho tem uma maioria confortável no Parlamento e as próximas eleições estão marcadas somente para 2015. As informações são da Dow Jones. (Álvaro Campos - alvaro.campos@estadao.com)

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