STR/AFP Photo
STR/AFP Photo

Aliança opositora da Nicarágua denuncia fraude nas eleições e culpa presidente por mortes

Protestos em razão do processo eleitoral deixaram sete mortos, mas as autoridades reconhecem apenas cinco; policiais buscam restabelecer a ordem em algumas cidades do país

O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2017 | 03h34
Atualizado 09 Novembro 2017 | 09h18

MANÁGUA - A Frente Ampla pela Democracia (FAD) da Nicarágua denunciou na quarta-feira 8 fraude nas recentes eleições municipais e acusou o presidente, Daniel Ortega, pelas sete mortes ligadas ao processo eleitoral - as autoridades reconhecem apenas cinco - e os 67 feridos. Policiais buscam restabelecer a ordem em algumas cidades do país, onde comunidades indígenas e opositores protestavam contra o “roubo” na votação.

+ Ortega inicia quarto mandato na Nicarágua com economia e poder ameaçados

"O que houve (no domingo) foi uma farsa eleitoral (...). O povo da Nicarágua invalidou estas eleições quando mais de 70% (dos eleitores) não participaram", declarou a dirigente da FAD Violeta Granera.

A principal força da oposição considera que a abstenção - de 48%, segundo o Tribunal Eleitoral - foi um "voto de castigo" contra o regime de Ortega e o sistema eleitoral está "totalmente colapsado".

"O 'orteguismo' voltou a mostrar sua vontade de se impor pela força e por sua manipulação institucional", denunciou a FAD, aliança de partidos e organizações cívicas opositoras de diversas tendências políticas.

Segundo o grupo, as eleições não tiveram transparência e a violência foi provocada pelas "repetidas fraudes eleitorais e pelo desespero de comunidades que se sentem enganadas".

A FAD acusa Ortega de ser "responsável pelas sete mortes, por toda a violência na costa do Caribe e pela perseguição contra muitos cidadãos".

As autoridades reconhecem cinco mortes violentas em "incidentes isolados" em 13 municípios, provocadas por partidários dos partidos de direita inconformados com a vitória da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que conquistou 135 das 153 prefeituras em disputa.

A porta-voz do departamento americano de Estado Heather Nauert condenou "a violência pós-eleitoral" na Nicarágua, lamentando "a perda de vidas" e exigindo "uma investigação que leve os responsáveis à Justiça".

O governo de Donald Trump manifestou sua preocupação com as "persistentes falhas" no processo democrático nicaraguense e com os relatos de "irregularidades". "Os EUA seguem defendendo o fortalecimento das instituições democráticas, a separação dos poderes e um processo eleitoral livre e justo na Nicarágua". / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.