Pós-guerra abriu espaço para ativismo

Workshop sobre câncer promovido pelo governo inspirou Gohari a agir

O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2008 | 00h00

Nazamin Gohari, mãe de dois filhos e mulher de um funcionário público, começou a abraçar o ativismo comunitário no início dos anos 90, pouco depois da Guerra Irã-Iraque e da morte do aiatolá Ruhollah Khomeini.As restrições do tempo de guerra afrouxaram-se e o feitiço carismático do líder revolucionário acabou. O Irã começou a se concentrar em questões práticas como a reconstrução de uma infra-estrutura arrasada e a promoção de uma saúde melhor. Um assistente social enviado para a vizinhança de Gohari, o antigo Distrito de Rey, convidou-a a freqüentar um workshop de conscientização sobre câncer de mama.No começo ela não queria ir. Mas a sessão inicial, sobre auto-exame das mamas, foi uma revelação. Uma de suas melhores amigas havia morrido de câncer de mama. "Foi uma abertura de olhos", disse. "Aqueles 10 minutos mudaram minha vida." A estudante relutante tornou-se uma promotora da saúde das mulheres, encorajando suas vizinhas, muitas delas pobres recém-chegadas do campo, a ir a workshops sobre cuidados pré-natais, desenvolvimento infantil, conscientização sobre câncer de mama, nutrição, educação sexual e saúde mental."Eu oferecia descontos em penteados se elas fossem aos cursos", disse a cabeleireira. Ela começou organizando as mulheres para reivindicar melhoria de serviços municipais, ruas mais iluminadas, sem viciados em drogas e criminosos, e parques onde as mulheres pudessem levar seus filhos sem medo de ser abordadas por mendigos. Gohari foi eleita chefe de um conselho feminino que ela e suas vizinhas criaram. Elas começaram a exigir reuniões com dirigentes municipais.Um alto funcionário do Ministério da Eletricidade resistiu. Sua desculpa: não gostava de lidar com mulheres. "Eu disse a ele: ?Prometo que virei sozinha e se você cumprir seus deveres não o incomodarei mais. Caso contrário, trarei ônibus cheios de mulheres para seu escritório.??? A reunião foi feita.Os olhos de Gohari brilham quando a comenta seus sucessos. Graças à ajuda de Gohari, Sedigheh, a estudante que não podia comprar o material para o vestibular, foi aceita na Universidade Payame Noor em Teerã. Em 2007, ela terminou seus estudos de psicologia e foi contratada como assistente social. "Quando vejo essa garota, me sinto fortalecida", diz Gohari.

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