Posse de Kirchner terá presença de 12 presidentes da AL

A cerimônia de posse do presidente eleito da Argentina, Néstor Kirchner, já conta com a confirmação de 12 presidentes da América Latina, dentre os quais Luiz Inácio Lula da Silva, o príncipe de Espanha e os representantes do governo dos Estados Unidos. Embora a programação e a lista de convidados ainda não tenham sido divulgadas, segundo informações do cerimonial da Casa Rosada, os enviados dos Estados Unidos serão o sub-secretário de Estado adjunto para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Roger Noriega, e o secretário de Habitação e articulador político, Mel Martínez. Este último não é um funcionário de peso na agenda internacional mas é amigo pessoal do presidente George W. Bush. Isso foi considerado, pelo Ministério de Relações Exteriores da Argentina, como um "sinal positivo neste início de governo, já que Bush decidiu enviar um amigo pessoal e político junto com um técnico especializado na região". Enquanto Mel Martínez cumpre a tarefa de transmitir uma mensagem "amistosa", Noriega demonstra o "interesse" norte-americano pelo país. Antes de ser nomeado para o cargo, em janeiro passado, Roger Noriega era representante permanente dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA). O príncipe Felipe de Bordón, herdeiro da coroa espanhola, também já confirmou sua presença, assim como os presidentes Lula (Brasil), Ricardo Lagos (Chile), Jorge Batlle (Uruguai), Gonzalo Sánchez de Losada (Bolívia), Alejandro Toledo (Peru), Hugo Chávez (Venezuela), Alfonso Portillo (Guatemala), Francisco Flores (El Salvador), Mireya Moscoso (Panamá), Lucio Gutierréz (Equador), Luis González Macchi (Paraguai) e Alvaro Uribe (Colômbia). O presidente de Cuba, Fidel Castro, avisou que não poderá ir à cerimônia. A maior parte das solenidades será realizada no Congresso Nacional, pela primeira vez. O presidente Eduardo Duhalde creditou a mudança da Casa Rosada para o Congresso às maiores condições de segurança do local para receber tantos presidentes e delegações estrangeiras. "Não convém que fiquemos nos trasladando de um lado a outro com 12 presidentes estrangeiros", disse Duhalde.MissasO cronograma da posse ainda não está totalmente definido e o cerimonial anda "brigando" até com a Igreja por conta de alguns detalhes curiosos. O presidente que sai decidiu terminar seu governo com uma missa de agradecimento, enquanto que o presidente que entra também quer sua própria benção católica para iniciar seu mandato. Ouvidos os desejos de ambos, o cerimonial saiu correndo para organizar a missa de Eduardo Duhalde, na catedral de Luján, a 50 quilômetros de Buenos Aires, como pediu o presidente, às 9 horas da manhã. Outro grupo foi para a Catedral de Buenos Aires, na praça de Maio, para acertar a realização do "Tedéum" de Néstor Kirchner para às 18 horas. Ocorre que à esta hora, Duhalde terá passado a faixa presidencial à Kirchner e se retirado das cerimônias, como manda o protocolo. A polêmica surgiu porque a Igreja interpretou o desejo de Eduardo Duhalde de ir rezar para a Virgem de Luján como uma manobra para evitar uma dura homilia do arcebispo portenho Jorge Bergoglio que pudesse tirar o brilho de sua saída do governo. Isso se deve ao fato de que o arcebispo costuma utilizar a tradicional missa do dia 25 de maio, data nacional da Argentina, a qual coincidiria com a missa para a benção de Kirchner, para formular severos e críticos discursos contra o governo e os políticos. Diante desta situação, um porta-voz da Igreja já informou que não se pode realizar dois "Tedéum". Resta saber como Duhalde e Kirchner resolverão seus problemas católicos.

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