Possibilidade de Paraguai deixar bloco é remota

A suspensão do Mercosul depois do impeachment relâmpago do ex-presidente Fernando Lugo provocou reações iradas no Paraguai, no governo e também entre empresários, ao ponto de se levantar a possibilidade de o país deixar em definitivo o bloco. As ameaças, no entanto, têm poucas chances de serem concretizadas. País mais pobre do Mercosul, o Paraguai é também o mais dependente do grupo.

LISANDRA PARAGUASSU, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2012 | 03h05

A conta quem faz é o diretor de integração do Ministério da Fazenda paraguaio, Francisco Ruiz Díaz, em um artigo para o Centro de Análise e Difusão da Economia Paraguaia (Cadep): a dependência do país de seus sócios no Mercosul pode chegar a 30% do PIB paraguaio.

"Entre exportação de bens originários (produzidos no Paraguai) e não originários (produzidos fora e reexportados pelo Paraguai) transferências de recursos e compras de bens das binacionais (Itaipu e Yaciretá) e investimentos bilaterais, essas atividades geram um fluxo de divisas para o Paraguai que equivalem a quase 30% do PIB", disse Ruiz Díaz no artigo. A maior dependência seria com a economia brasileira. Ruiz Díaz cita um estudo do FMI segundo o qual uma redução de 1% do PIB brasileiro causa a mesma diminuição do PIB paraguaio.

"É uma reação emocional de certos setores empresariais e da sociedade. Mas não pode prosperar. Nenhum governo pode atuar dessa forma", analisa Fernando Masi, diretor do Cadep. "Somos um país pequeno, não podemos nos isolar." Masi, que falou ao Estado no lugar de Ruiz Díaz - funcionário público, o autor do texto informou que não estaria autorizado a dar entrevistas - afirma que o país precisa do Mercosul não apenas para exportar e importar bens, mas também para negociar questões bilaterais e até mesmo para melhorar sua infraestrutura.

"A maior parte do que é utilizado do Fundo de Convergência de Infraestrutura do Mercosul (Focem) vem para o Paraguai. Esses recursos são muito importantes para a infraestrutura física do país, especialmente as conexões viárias e de energia", afirma Masi. "Porque o Paraguai é um país mediterrâneo, precisa de conexões terrestres com seus vizinhos. Mas o Focem também tem servido para romper o isolamento interno, conectar as regiões". Criado em 2005, o Focem é sustentado em 70% por recursos brasileiros, país mais rico do grupo. O Paraguai deposita por ano US$ 1 milhão, mas é hoje o maior beneficiário do fundo. Até hoje, 19 projetos foram aprovados, com um financiamento de US$ 608 milhões.

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