ERIN SCHAFF/THE NEW YORK TIMES
ERIN SCHAFF/THE NEW YORK TIMES

Possível mudança de rumo na América Latina

Democrata promete fim de programa desumano de imigração, liderar a luta contra a corrupção na região e defender a Amazônia

Brian Winter, Americas Quarterly

06 de novembro de 2020 | 05h00

Joe Biden falou em março à publicação American Quarterly sobre qual seria o tratamento que seu governo adotaria em relação à América Latina

1. Primeiro país da América Latina a ser visitado após a posse.

Como vice-presidente, tive a sorte de viajar por toda a América Latina e tenho grandes amigos nessa região, mas seria uma presunção anunciar uma visita sem consultar de antemão o anfitrião. No entanto, pretendo ter uma primeira reunião com o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, para a criação de uma estratégia conjunta nos campos da economia e da segurança, e começar a desempenhar os meus compromissos com a finalidade de anular a desumana política de Donald Trump em relação à imigração.

2. Mudança de regime na Venezuela.

Os Estados Unidos não devem se envolver em mudanças de regime. Nicolás Maduro é um ditador, pura e simplesmente, mas o objetivo principal na Venezuela deve ser pressionar para uma volta à democracia por meio de eleições livres e honestas, e ajudar o povo venezuelano a reconstruir seu país. A comunidade internacional também é responsável por ajudar os vizinhos da Venezuela, como a Colômbia, a tentar solucionar a grave crise humana criada pelos milhões de migrantes venezuelanos que fugiram do país. Como presidente, também concederia o Status Protegido Temporário aos venezuelanos nos Estados Unidos.

3. Ajuda a El Salvador, Guatemala e Honduras

Nossa assistência não é um prêmio, mas uma maneira de os Estados Unidos ajudarem os países do Triângulo Norte a conter a violência e a pobreza que impelem as famílias desesperadas rumo ao norte. A assistência a estes países é de nosso interesse nacional, mas eu pretendo exigir também que os governos assumam compromissos concretos no que diz respeito ao combate à corrupção, a investimentos em seus recursos, e a demonstrar a vontade política de empreender importantes reformas.

4. Livre-comércio com países latino-americanos.

Todo novo acordo comercial precisará estar de acordo com minhas prioridades, que são a criação de empregos nos Estados Unidos, a proteção dos trabalhadores americanos e as preocupações ambientais que constituem uma parte fundamental da negociação. Nossos atuais acordos de livre-comércio na América Latina – e em todo o globo – devem ser implementados de maneira justa para criarem empregos e prosperidade para todos os interessados.

5. Combate à corrupção na América Latina

Na minha presidência, os Estados Unidos, incluindo nossos diplomatas e agência de segurança, voltarão a liderar a luta contra a corrupção, porque todo esforço para melhorar as condições na região devem começar pelo combate à corrupção sistêmica e aos abusos de poder. Infelizmente, o governo Trump anulou os esforços para combater a corrupção na América Latina. Eu apoiarei as iniciativas regionais e especificamente de cada país a fim de fortalecer o seu sistema judiciário e o Estado da lei, e usarei a proibição dos vistos e as nossas leis federais para prender indivíduos e organizações corruptas.

6. Influência da China na América Latina.

Atualmente, a ameaça fundamental à segurança nacional americana no Hemisfério Ocidental é a ausência de uma liderança americana. Rússia e China não se comparam aos nossos laços extraordinários e à história comum com o povo da América Latina e do Caribe. Eles devem estar cientes de que a incompetência de Trump e sua negligência em relação à América Latina e o Caribe acabarão no primeiro dia do meu governo.

7. Legalização da maconha em países latino-americanos. 

Eu sou favorável a que a maconha e outras drogas sejam tratadas como uma questão de saúde pública. No entanto, não acredito que a legalização seja uma panaceia, tampouco que ela solucionaria a questão do fraco Estado da lei e das frágeis instituições legais que permitem que o narcotráfico e o de outras drogas prosperem em algumas partes da América Latina e do Caribe.

8. Floresta Amazônica. 

Os incêndios que devastaram a Amazônia deram origem a uma ação global para deter a destruição e apoiar o reflorestamento antes que seja tarde demais. O presidente Jair Bolsonaro deve saber que, se o Brasil não agir como protetor responsável da Floresta Amazônica, meu governo solicitará o apoio mundial para garantir que o meio ambiente seja protegido.

9. Relações entre os EUA e Cuba.

Os americanos – e particularmente os cubano-americanos – podem ser nossos melhores embaixadores da liberdade em Cuba. Portanto, como presidente, mudarei imediatamente as políticas falhas de Trump que tanto prejudicaram o povo cubano e nada fizeram para o avanço da democracia e dos direitos humanos.

10. Desculpas sobre apoio dos EUA a golpes em países como Brasil, Chile e Guatemala. 

O governo Obama-Biden reconheceu que os Estados Unidos e a América Latina não devem esconder da nossa história este fato nem se sentirem constrangidos por isso – na realidade fizemos grandes progressos para sanar as feridas da Guerra Fria em países como El Salvador, Argentina e Cuba. O meu governo se comprometerá a ser o mais transparente da história, e tornará públicos documentos que datam de dezenas de anos atrás sobre a política americana na América Latina./TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.