Post diz que forças especiais já estão no Afeganistão

A inserção, no sul do Afeganistão, de cerca de duas dúzias de membros de forças especiais dos Estados Unidos abriu a fase terrestre da guerra contra o terrorismo, que completa nesta sexta-feira duas semanas. Fontes anônimas do Pentágono confirmaram a quatro redes de televisão a informação, que foi dada nesta sexta-feira pelo jornal The Washington Post. Oficialmente, o ministério da Defesa manteve sua política de não fazer comentários. O vice-almirante John Stufflebeem, que deu a entrevista coletiva diária sobre o andamento da guerra, nesta sexta-feira, disse que não podia ?nem confirmar, nem desmentir?. Mas ele reiterou que os EUA ?usarão todo o espectro de suas forças armadas? e que ?partes da campanha serão invisíveis?. Na quinta-feira, perguntado sobre a presença de forças especiais no Afeganistão, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, ficou perto de confirmar que as primeiras unidades de comandos já haviam desembarcado e iniciado operações secretas. Ele disse que não comentaria enquanto não houvesse atividade que ?significativa e perceptível?. Rumsfeld indicou, no entanto, a inevitabilidade da mobilização dos comandos e deu uma idéia bastante clara sobre sua missão, ao responder a uma pergunta sobre os limites do poder aéreo. Os aviões que tem bombardeado incessantemente alvos em todas as regiões do Afeganistão ?não são capazes de causar dano suficiente (porque) eles não podem arrastar-se pelo terreno e achar as pessoas?, disse ele. De acordo com as fontes anônimas do Pentágono citadas pela CNN e outras redes, a missão das unidades de comando que estão no Afeganistão é reforçar as atividades de guerra psicológica iniciada por agentes da Agência Central de Inteligência, a CIA, com o objetivo de promover a dissensão política no Taleban, levando líderes de grupos locais da maioria étnica pashtu a romper formalmente com o regime de Cabul. ?Estamos num estágio muito preliminar?, disse a fonte do Pentágono, referindo-se à entrada em ação de forças terrestres. O funcionário não esclareceu quando os comandos chegaram ao Afeganistão. Stufflebeem deixou sem resposta uma pergunta sobre o uso de forças especiais na primeira semana do conflito, que foi amplamente noticiado, com base em fontes oficiais anônimas. Uma outra fonte do Pentágono disse que mais unidades de comando entrarão em ação nos próximos dias para realizar missões de coleta de informações, seleção de alvos e, em raras ocasiões, realizar ataques diretos contra forças do Taleban e da al-Qaeda - a organização terrorista liderada pelo milionário saudita Osama bin Laden, que os EUA responsabilizam pelos ataques que mataram mais de 5.500 americanos no dia 11 de setembro, em Nova York e Washington. De acordo com o Washington Post, o desembarque, nos próximos dias, de novas unidades de comandos começou a ser anunciado por mensagens de rádio que estão sendo transmitidas de aviões EC-130, uma versão do Hércules especialmente equipado para operações psicológicas. ?Atenção, povo do Afeganistão: forças dos Estados Unidos estarão passando em sua área?, começa uma das mensagens, segundo transcrição divulgada pelo Pentágono. ?Estamos aqui (atrás) de Osama bin Laden, da al-Qaeda e daqueles que os protegem! Por favor, para sua segurança, evite pontes, estradas e não interfira com nossas tropas ou operações militares. Se você fizer isso, será prejudicado?. A marinha, exército e força aérea americanos têm entre 35 mil e 40 mil soldados em várias unidades de forças especiais. Não há informação sobre o número de comandos que já estaria em posição no Paquistão e nos países vizinhos ou embarcados na frota de guerra que está no mar da Arábia. No início do mês, o porta-aviões Kitty Hawk foi deslocado de sua base no Japão para a região do conflito sem seu complemento habitual de 70 aviões para servir de base de operações dos helicópteros que transportarão as forças especiais ao Afeganistão. Stufflebeem disse que os EUA estão bastante confiantes de que já destruíram a infra-estrutura de comunicação do Taleban e que os comandantes de suas tropas em diferentes partes do país já não têm mais meios para receber ordens de um comando central. Como prova, ele citou o fato de o embaixador do Taleban no Paquistão, o mulá Abdul Salam Zaeef, estar viajando entre Islamabad e Kandahar, onde está baseado o líder da milícia, mulá Mohamad Omar, para receber suas instruções. Leia o especial

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