"Post" reconhece que deveria ter questionado mais a guerra

Editores do Washington Post admitiram que subestimaram a importância de reportagens que questionavam os pretextos do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, para invadir o Iraque, nos meses que antecederam a guerra. Num texto publicado hoje pelo jornal, o comentarista Howard Kurtz escreve que os editores do jornal resistiram à publicação de reportagens que questionavam as evidências apresentadas por Bush de que o então presidente iraquiano Saddam Hussein estaria escondendo armas de destruição em massa. "Nós fizemos nosso trabalho, mas não fomos longe o bastante. Também tenho uma parcela dessa culpa por não ter pressionado mais", declarou o editor assistente Bob Woodward a Kurtz. "Nós deveríamos ter alertado os leitores que as informações nas quais se baseavam as acusações eram mais duvidosas" do que muitos queriam acreditar. Thomas Ricks, correspondente do jornal no Pentágono, disse a Kurtz que "havia uma atitude entre os editores: olhe, nós estamos indo à guerra. Por que devemos nos preocupar com todas essas coisas contrárias?" Em seu texto, Kurtz escreve que "o resultado foi uma cobertura que, apesar de alguns lampejos de boas reportagens, mostrou-se muitas vezes parcial". Diversos críticos da guerra denunciaram a imprensa americana por não ter sido mais cética com relação às alegações de Bush.

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