AP Photo/Vahid Salemi
AP Photo/Vahid Salemi

Postagens em redes sociais convocam novos protestos no Irã

Uma semana depois do ataque iraniano que derrubou um avião que levava, em sua maioria, iranianos para o Canadá

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2020 | 04h12

Postagens iranianas nas mídias sociais pediram aos cidadãos que saíssem às ruas pelo quinto dia na quarta-feira, 15, depois que a ira do público explodiu após a admissão tardia das autoridades de que eles haviam abatido um avião de passageiros na última semana. 

Manifestantes, com estudantes na linha de frente, realizam comícios diários em Teerã e outras cidades desde sábado, quando as autoridades admitiram seu papel em derrubar um avião ucraniano na semana passada, matando todos as 176 pessoas à bordo, após dias de negações. O avião foi derrubado por defesas aéreas em 8 de janeiro, quando as forças armadas estavam em alerta máximo para represálias dos EUA após ataques militares, a última escalada de uma crise ronda há anos sobre o programa nuclear do Irã.

Grã-Bretanha, França e Alemanha acusaram formalmente o Irã na terça-feira, 14, de violar os termos do acordo de 2015 para conter seu programa nuclear, uma medida que pode levar à reimposição de sanções da ONU. O presidente do Irã chamou o desastre do avião de “erro imperdoável”, os militares emitiram desculpas profusivas e o judiciário disse que prendeu alguns dos acusados ​​de terem participado do acidente, no esforço de reprimir a indignação pública. 

Alguns protestos foram recebidos com uma repressão violenta. Vídeos nas redes sociais mostraram pessoas sendo espancadas pela polícia e levando choques com bastões elétricos. Eles também registraram tiros e sangue no chão. A maioria dos protestos explodiu à noite. "Estamos chegando às ruas", disse uma publicação que circulava nas redes nesta quarta-feira, convidando as pessoas a participarem de manifestações em todo o país contra um "governo ladrão e corrupto". 

Quarta-feira marca uma semana do acidente, coincidindo com a tradição muçulmana xiita de lamentar os mortos após sete dias. Os protestos de terça-feira pareciam menores, com publicações mostrando manifestações pacíficas, principalmente nos campi das universidades. 

Milhares de manifestantes foram mostrados em vídeos reunidos nos últimos quatro dias em cidades do Irã. Muitos estão fora das universidades, enquanto a praça Azadi, no centro de Teerã, tem sido o foco. Mas é difícil determinar a escala completa de protestos devido às restrições de relatórios independentes. 

A mídia afiliada ao Estado relatou protestos, mas deu detalhes limitados. A polícia negou ter atirado em manifestantes e disse que os policiais foram instruídos a mostrar contenção. O judiciário disse que prendeu 30 pessoas, mas demonstraria tolerância a "protestos legais". /REUTERS

 

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