Australian Defence Force / AFP
Australian Defence Force / AFP

Potência da erupção em Tonga supera em mais de 500 vezes a da bomba de Hiroshima, diz Nasa

Vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha'apai lançou uma coluna de fumaça que alcançou uma altura de 40 km após sua erupção, aponta a agência espacial americana

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2022 | 16h44
Atualizado 24 de janeiro de 2022 | 20h04

Correções: 24/01/2022 | 19h58

A força da erupção vulcânica no arquipélago das ilhas Tonga, em 15 de janeiro, superou em pelo menpos 500 vezes a potência da bomba atômica lançada sobre Hiroshima (Japão), informaram cientistas da Nasa, a agência espacial americana. De acordo com o Observatório da Terra da Nasa, o vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha'apai lançou uma coluna de fumaça que alcançou uma altura de 40 km após sua erupção. O fenômeno foi ouvido até no Alasca, a mais de 9 mil km de distância, e provocou um tsunami.

A Nasa afirmou que essa erupção foi várias centenas de vezes mais potente que a bomba atômica americana lançada sobre a cidade japonesa de Hiroshima, em agosto de 1945, estimada em 15 kt (um quiloton equivale a mil toneladas) de TNT.  "Calculamos que a quantidade de energia liberada pela erupção foi equivalente a entre 5 mt e 30 mt (um megaton é igual a mil kt)", informou o cientista da Nasa Jim Garvin, em uma publicação no domingo à noite.

A agência afirmou que a erupção "aniquilou" a ilha vulcânica, localizada 65 km ao norte da capital de Tonga, Nuku'alofa.

O fenômeno em Tonga foi algo nunca 'nunca vivido' até agora 

A catástrofe natural cobriu o reino insular - com uma população de cerca de 100 mil pessoas - com uma camada de cinzas tóxicas, contaminando a água potável, arrasando cultivos agrícolas e destruindo completamente ao menos duas cidades.

Pelo menos três pessoas morreram em Tonga, e dois banhistas se afogaram no Peru, cuja costa foi afetada por ondas de uma altura excepcional causadas pela erupção.

As autoridades peruanas anunciaram uma "emergência ambiental" de 90 dias na área costeira, atingida por um vazamento de 6 mil barris de petróleo há uma semana. O líquido continua se espalhando e contaminando a região, para o desespero de seus habitantes. 

Em Tonga, a magnitude dos danos ainda é incerta, entre outros motivos, porque as comunicações permanecem interrompidas. 

Seu impacto "superou em muito qualquer outra coisa que as pessoas daqui viveram", disse à AFP a jornalista Mary Lyn Fonua, moradora de Nuku'alofa. "A onda de choque da erupção abalou nossos cérebros", afirmou, acrescentando que a camada de cinzas muito fina que cobre tudo dificulta a vida dos habitantes. 

"Se infiltra por todos os lugares, (...) irrita os olhos, causa feridas no canto da boca. Todos estão com as unhas pretas. Parecemos imundos", completou.

As forças de defesa japonesas, neozelandesas e australianas estão fornecendo ajuda de emergência, o que inclui água potável, enquanto mantêm os rígidos protocolos sobre covid-19 para preservar o arquipélago da pandemia. / AFP e REUTERS

Correções
24/01/2022 | 19h58

Diferentemente do publicado neste texto em sua primeira versão, a intensidade da erupção foi 500 vezes maior que a da bomba de Hiroshima e não 100 vezes. O trecho foi corrigido. 

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