Potências buscam retomada de diálogo nuclear 'em breve' com o Irã

5+1 deve pedir retorno do país islâmico às negociações em comunicado nesta quarta na ONU

Reuters

22 de setembro de 2010 | 10h30

NOVA YORK - Chanceleres das potências que negociam sobre o programa nuclear do Irã devem dizer ao país persa que esperam retomar em breve as conversas em torno do enriquecimento de urânio iraniano e sobre um possível acordo de troca de material atômico, segundo o rascunho de um comunicado obtido nesta quarta-feira, 22, pela agência Reuters.

 

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"Nosso objetivo continua sendo uma solução negociada e compreensiva de longo prazo que restaure a confiança internacional na natureza unicamente pacífica do programa nuclear iraniano", diz o comunicado, que deve ser divulgado por China, França, Rússia, Reino Unido, EUA - todos membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) - e Alemanha.

 

O grupo, conhecido como 5+1, aprovou em junho novas sanções contra o Irã por seu programa nuclear. O Ocidente teme que Teerã mantenha o enriquecimento de urânio para a produção de armas atômicas, mas o governo iraniano nega. As potências ocidentais pedem que o Irã volte à mesa de negociações, e embora Teerã tenha anunciado por várias vezes que está pronto para o diálogo, nenhum progresso foi feito.

 

O comunicado esclarece que o grupo discutiu a implementação das sanções da ONU, que os EUA dizem estar funcionando. A China e a Rússia inicialmente se mostraram relutantes sobre a medida, mas posteriormente cederam às pressões. Ambos são aliados próximos do Irã.

 

O documento acrescenta que o grupo permanece pronto para conversar com o Irã para retomar as negociações sobre um acordo de troca de urânio estabelecido previamente com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que previa que Teerã enviasse seu material nuclear para o exterior e recebesse de volta matéria prima pronta para ser usada em seu reator de pesquisas.

 

"Esperamos uma participação positiva e construtiva do Irã nesse diálogo", informa o documento, acrescentando que uma reunião dos iranianos com o Grupo de Viena - composto por AIEA, EUA, Rússia e França - para discutir elementos técnicos do acordo.

 

O Irã abandonou o acordo proposto pela AIEA em outubro e em maio deste ano fechou um pacto semelhante com Brasil e Turquia. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Grupo de Viena e a troca de urânio não foi autorizada a ocorrer. Brasília e Ancara acreditavam que o pacto evitaria a adoção das sanções, o que não aconteceu.

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