Potências concordam em preparar nova resolução contra o Irã

Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha concordaram nesta segunda-feira, 26, em trabalhar em uma nova resolução para pressionar o Irã a cancelar seu programa de enriquecimento de urânio. O anúncio foi feito ao término de uma reunião em que os países se comprometeram em buscar um acordo com o Irã para sanar a polêmica nuclear.Segundo o funcionário do Gabinete de Relações Exteriores Britânico John Sawers, a adoção do compromisso foi um produtivo primeiro passo para se alcançar um acordo. Sawers, que liderou a reunião, anunciou, entretanto, que nenhuma decisão envolvendo o Irã foi tomada.Ele também disse, sem dar detalhes, que as discussões vão continuar, "com promissores contatos mais tarde nesta semana"."Nós também consideramos a melhor opção se reengajar com o Irã. Estamos todos preocupados em procurar uma solução negociada", disse Sawers, acrescentando que autoridades "estavam encorajadas pela seriedade das discussões".Ainda na segunda-feira, o chanceler russo, Sergei Lavrov, dizia-se preocupado com os rumores cada vez mais freqüentes de uma ação militar americana contra Teerã. O governo do Reino Unido, que recebeu a reunião envolvendo os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, França e Grã-Bretanha) mais a Alemanha, disse que as seis potências manterão novos contatos ainda nesta semana.Em Teerã, o governo insistiu que as exigências ocidentais para a suspensão do enriquecimento são "ilegais e ilógicas". "Está em contradição com a dignidade da nação iraniana", disse Gholamhossein Elham, porta-voz do governo, em entrevista coletiva. "Estamos prontos para preservar nossos direitos legais por meio de negociações".EUA x Irã Em Washington, o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, disse que os EUA "continuam trabalhando com seus aliados para encontrar formas de esclarecer" se o Irã está desenvolvendo armas nucleares, o que seria "um resultado inaceitável para a comunidade internacional". Snow destacou, entretanto, que os EUA consideram a recente negociação diplomática que levou a um acordo nuclear com a Coréia do Norte como um possível molde para uma negociação com o Irã, país que nega a intenção de desenvolver armas nucleares. A tensão a respeito do Irã manteve o petróleo cotado acima de US$ 61 por barril, enfraqueceu o dólar e elevou a procura por títulos considerados mais seguros e pelo ouro. Programa desenfreadoO presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse não haver "freio nem marcha a ré" no programa atômico do país, o que levou a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, a afirmar que Teerã precisaria de um "botão de parar" para seu programa. O Irã desrespeitou na semana passada um ultimato da ONU para suspender as atividades de enriquecimento de urânio, o que elevou a possibilidade de adoção de mais sanções internacionais ao programa. O vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, deu a entender que a opção militar não está descartada, o que levou o vice-chanceler iraniano a declarar que seu país está preparado para a guerra. Não foram divulgados detalhes sobre a reunião em Londres, mas é quase certo que uma nova rodada de sanções inclua a proibição de viagens para autoridades ligadas ao programa atômico e restrições a negócios não-nucleares. Estratégia militarNo final de semana, a imprensa dos EUA antecipou uma reportagem da revista New Yorker que revelaria que os EUA têm um plano que lhes permitirá atacar o Irã num prazo de 24 horas após uma eventual ordem do presidente George W. Bush. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, desmentiu o artigo, dizendo que falava também em nome de Washington ao dizer recentemente que não havia planos militares.

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