Potências decidem excluir Rússia do G-8

Crise na Crimeia motiva líderes do bloco dos países mais industrializados a transferir cúpula que ocorreria na cidade russa de Sochi para Bruxelas

ADRIANA CARRANCA , ENVIADA ESPECIAL / HAIA, HOLANDA, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2014 | 02h04

Convocados pelo presidente americano, Barack Obama, para uma reunião emergencial em Haia, os líderes das principais potências globais (além dos EUA, Canadá, França, Alemanha, Itália, Grã-Bretanha e Japão) decidiram ontem excluir a Rússia do bloco de países industrializados G-8, aumentando a pressão sobre o governo do presidente Vladimir Putin, em represália contra a anexação da Crimeia.

A cúpula, que ocorreria em junho na cidade russa de Sochi, foi transferida para Bruxelas - sem a participação da Rússia. Pouco antes da reunião do G-7, o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, prevendo o tema do encontro, ironizou: "O G-8 não é um clube formal, portanto, ninguém pode ser expulso".

Lavrov disse que a anexação da Crimeia "não se trata de uma decisão mal intencionada da Rússia, mas da proteção de residentes de etnia russa" na península. O chanceler acusou a Ucrânia de descumprir termos do acordo assinado em 21 de fevereiro pelo então presidente ucraniano Viktor Yanukovich e líderes da oposição, citando como exemplo o desbloqueio da Praça da Independência, em Kiev, onde governistas e manifestantes se enfrentaram em Kiev, e o desarmamento de militantes.

No primeiro encontro entre representantes da Rússia e da Ucrânia desde a anexação da Crimeia, Lavrov reuniu-se em Haia com o chanceler ucraniano, Andri Deshchytsia. "Discutimos atividades em curso, incluindo questões que precisam ser consideradas para pôr fim à crise na Ucrânia", disse Lavrov em uma entrevista à qual somente jornalistas russos tiveram acesso.

"Esperávamos que, a esta altura, ele quisesse falar ao mundo e não apenas aos russos", ironizou a jornalista russa Natasha Mozgovaya, que escreve para uma agência americana e não teve acesso à coletiva.

Questionado sobre a ausência de Putin à cúpula de segurança nuclear, Lavrov disse que a decisão de não comparecer foi tomada "meses antes" e não tem relação com a crise na Crimeia.

O chanceler ucraniano pediu uma nova rodada de sanções contra a Rússia. "O Ocidente tem feito muito, mas não foi o suficiente ainda para convencer a Rússia", disse. "Estamos muito preocupados com o avanço das tropas russas, mas, ao mesmo tempo, prontos para defender nosso território", afirmou, antes do encontro com Lavrov. "Podemos coexistir pacificamente, mas nunca vamos abrir mão da Crimeia."

Os líderes do G-7, além dos presidentes do Conselho Europeu e da União Europeia, se reuniram durante duas horas na residência oficial do premiê holandês, Mark Rutte.

O encontro a portas fechadas ocorreu à margem da cúpula de segurança nuclear, criada pelo presidente Obama para discutir medidas para reduzir os estoques de material nuclear disponíveis no mundo e evitar que caiam nas mãos de grupos terroristas. O primeiro dia do evento, do qual participam 53 países, foi dominado pela Crimeia.

Na declaração divulgada após o encontro, os líderes do G-7 condenaram "o referendo ilegal realizado na Crimeia em violação à Constituição da Ucrânia" e "a tentativa também ilegal da Rússia de anexar a Crimeia", o que consideram uma violação das leis internacionais.

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