John MACDOUGALL / AFP
John MACDOUGALL / AFP

Potências envolvidas no conflito líbio pedem cessar-fogo

Elas também se comprometeram em respeitar o embargo de armas da ONU contra o país africano em guerra

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2020 | 21h02

BERLIM - Líderes das potências mundiais envolvidas no conflito na Líbia se comprometeram neste domingo (19) a respeitar o embargo de armas decretado pelas Nações Unidas em 2011, anunciou a chanceler alemã, Angela Merkel, após uma conferência internacional celebrada em Berlim. “Concordamos que vamos respeitar o embargo sobre as armas e ele será controlado mais estritamente”, disse Merkel.

Os dirigentes pediram, ainda, a suspensão das hostilidades e um “cessar-fogo permanente” no país. O objetivo do encontro foi tentar construir um processo de paz e impedir que a guerra civil transforme a Líbia em uma “segunda Síria”. A violência na Líbia se alimenta de apetites em torno de suas grandes reservas de petróleo, rivalidades políticas regionais e jogos de influência.

Os rivais diretos no conflito, Fayez al-Sarraj, chefe do Governo de Unidade Nacional (GNA) – reconhecido pela comunidade internacional –, e o marechal Kalifa Haftar – líder militar do leste do país –, não compareceram à conferência, da qual participaram 11 nações, entre as quais Rússia, Turquia, França, Alemanha e Reino Unido. O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, disse que, embora a conferência tenha sido “muito útil”, “está claro que ainda não conseguimos iniciar um diálogo sério e estável entre eles”.

‘Pequeno passo’.

Tanto Lavrov quanto Merkel falaram que o encontro resultou em um “pequeno passo adiante”, mas reconheceram que ainda há muito a fazer para alcançar a paz na Líbia, envolvida em conflito desde a deposição do ditador Muamar Kadafi, em 2011.

“Todos os participantes se comprometeram a não interferir no conflito armado e nos assuntos internos da Líbia”, declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

A Turquia apoia militarmente a GNA e a Rússia respalda o marechal Haftar, juntamente com Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. 

Desde a retomada dos confrontos, em abril, mais de 280 civis e 2 mil combatentes foram mortos. Segundo a ONU, mais de 170 mil habitantes tiveram de abandonar suas casas.

O presidente francês, Emmanuel Macron, também suspeito de apoiar Haftar, pediu a suspensão do envio de milicianos sírios e de soldados turcos à região. “Devo falar da profunda preocupação que inspira a chegada de combatentes sírios e estrangeiros a Trípoli.”

A ONU espera que a conferência fortaleça a trégua que entrou em vigor no dia 12, por iniciativa da Rússia e da Turquia. Mas as escaramuças continuam. Na véspera do encontro dos líderes em Berlim, Haftar bloqueou as exportações de petróleo líbio, única fonte de recursos do país.

Por isso, o chefe da GNA pediu ontem o envio de uma força militar internacional, para “proteger a população”, justificou. O pedido tem apoio de vários países, como Itália e Reino Unido. / AFP

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