EFE/Mykola Lazarenko
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Potências europeias lançam ofensiva contra risco de 'guerra total' na Ucrânia

Violência crescente. Esforço diplomático liderado principalmente por Alemanha e França é visto no continente como a 'última chance' de diálogo entre os independentistas de Kiev e o governo russo de Vladimir Putin; Otan dobra tropas nos países do Leste

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

06 de fevereiro de 2015 | 02h03

França e Alemanha lançaram ontem uma ofensiva diplomática com o objetivo de evitar uma "guerra total" na região de Donbass, no leste da Ucrânia. Juntos, o presidente francês, François Hollande, e a chanceler alemã, Angela Merkel, propuseram às autoridades de Kiev e de Moscou uma nova trégua que mantenha a integridade territorial do país, mas dê mais autonomia às cidades separatistas de Donetsk e Luhansk.

O anúncio da mobilização europeia foi feito por Hollande na manhã de ontem, no Palácio do Eliseu, horas antes de partir para Kiev. Segundo o presidente, o objetivo é impedir a intensificação dos combates em razão da mobilização de voluntários dos dois lados, com o aumento do apoio da Rússia aos separatistas e com a perspectiva de que os Estados Unidos forneçam armas aos militares ucranianos.

"O tempo está passando e ninguém poderá dizer que a França e a Alemanha não tentaram tudo para preservar a paz", afirmou Hollande, advertindo que a "opção diplomática" não poderá se prolongar indefinidamente. "Nós estamos em meio a uma guerra - uma guerra que pode se tornar total."

À tarde, já em Kiev, Hollande e Merkel encontraram-se com o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, a quem apresentaram a proposta para encerrar o conflito, que deixou 5,3 mil mortos nos últimos nove meses.

Os líderes políticos não revelaram detalhes do texto, mas segundo o Palácio do Eliseu ele visa substituir o Acordo de Minsk, que resultou em um cessar-fogo fracassado no ano passado, e garantir maior autonomia administrativa à região de Donbass, onde se localizam Donetsk e Luhansk, garantindo porém a integridade territorial ucraniana.

A mesma proposta será apresentada hoje em Moscou ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, acusado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de fornecer armas e soldados aos separatistas ucraniano. O Kremlin, porém, teria como objetivo estabelecer em Donbass uma nova "zona neutra" independente, mas que seja um protetorado russo de facto, como acontece com a Abkházia e a Ossétia do Sul, na Geórgia, e a Trans-Dniester, na Moldávia.

Armas. Ontem, Poroshenko voltou a pedir que os países da Otan forneçam armas ao Exército ucraniano. Hollande e Merkel advertiram que não enviarão equipamentos bélicos.

Também em visita a Kiev, o secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou que o presidente Barack Obama analisará o pedido "em breve", exortando a Rússia a "se engajar em um cessar-fogo com ações concretas". Kerry deve se encontrar hoje, em Frankfurt, na Alemanha, com o chanceler russo, Serguei Lavrov.

Em paralelo, ministros da Defesa dos países da Otan se reuniram ontem em Bruxelas para discutir o deslocamento de novas tropas da aliança para o leste da Europa. A força de mobilização rápida, hoje com 13 mil soldados, será ampliada para 30 mil homens.

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