Potências fecham acordo para construir reator nuclear

União Européia, China, Estados Unidos, Índia, Japão, Coréia do Sul e Rússia assinaram nesta terça-feira em Paris um acordo para construir um reator nuclear que se inspira no processo de liberação de energia do sol e que pretende ser mais limpo e mais barato que outros meios de produção. O acordo foi assinado nesta terça-feira no Palácio do Eliseu, sede da Presidência da República francesa, e fará com que os sete parceiros - que representam mais da metade da população mundial - desenvolvam um projeto de colaboração ambicioso no campo energético. Trata-se do Reator Experimental Termonuclear Internacional (Iter, em inglês), projeto que começa a ser elaborado após vários anos de negociações e cujo objetivo é criar um protótipo de instalação para a produção de energia. Todos os representantes dos países que fecharam o acordo falaram sobre o caráter histórico da colaboração entre tantas nações e sobre como este projeto pode favorecer o desenvolvimento de uma energia duradoura e que respeita o meio ambiente, já que o reator não emitirá CO2, gás que é o principal causador do efeito estufa e da mudança climática. "É uma mão estendida às gerações futuras em nome da solidariedade e da responsabilidade", disse o presidente da França, Jacques Chirac, para quem o esgotamento dos recursos energéticos fósseis e o aquecimento da Terra exigem "uma revolução dos modos de produção e de consumo". Segundo o presidente da Comissão Européia (CE), José Manuel Durão Barroso, o desafio de garantir a segurança energética com o respeito ao meio ambiente é "vital" e, por isso, a CE quer uma estratégia nesse sentido. Durão Barroso disse estar confiante em que, no futuro, será realizado o "sonho dos físicos: domesticar a energia das estrelas". O Iter será instalado em um terreno de 180 hectares em Cadarache, no sul da França, com a intenção de criar um reator que tentará reproduzir na Terra o processo que se desenvolve no sol, onde os átomos de hidrogênio se unem para criar outros maiores em um processo que se realiza em uma temperatura altíssima e do qual se desprende energia. No caso do Iter, a intenção é utilizar matérias-primas de fácil acesso em todo o planeta, como o deutério e o trítio, que podem ser extraídos da água do mar. No reator, os dois elementos serão misturados, criando uma substância gasosa que será aquecida a uma temperatura de cerca de 100 milhões de graus centígrados. A reação de fusão produzirá hélio a alta temperatura que aquecerá um plasma que ficará dentro da instalação. Os cientistas poderão estudar no Iter a quantidade de energia gerada pelo plasma, principalmente sob a forma de nêutrons, e tentar compreender os processos de física atômica e dos materiais gerados. A colaboração entre os sete parceiros acontece devido à constatação de que as energias fósseis são escassas. O petróleo e o gás, por exemplo, desaparecerão ainda neste século. O objetivo do Iter é enfrentar o problema, embora a instalação (um laboratório de pesquisa) só começará a ser construída após 2008. O reator estará concluído em dez anos, com um custo estimado de cerca de 4,57 bilhões de euros, dos quais a UE investirá 50% e os outros seis parceiros, 10% cada um. A idéia é que sobre dinheiro para que haja uma reserva em caso de necessidade. A exploração do reator será desenvolvida durante 20 anos, com um custo de 4,8 bilhões de euros, dos quais os europeus financiarão 34% e os outros seis parceiros, 11% cada um. Cada país é responsável por uma parte da construção do projeto e fará uma licitação internacional para que empresas possam participar da elaboração deste sistema. Os cientistas esperam conseguir um protótipo de reator cuja propriedade intelectual será dos signatários do acordo assinado hoje. O projeto poderá ser explorado comercialmente, embora a previsão seja de que isso só ocorrerá a partir de meados deste século.

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