Potências fecham acordo sobre questão nuclear iraniana

As seis potências mundiais reunidas para discutir a crise nuclear iraniana em Viena chegaram a um acordo sobre um pacote de incentivos e penalidades que será apresentado à Teerã, informaram nesta quinta-feira diplomatas presentes ao encontro. Segundo eles, as ações do Conselho de Segurança contra o Irã serão suspensas caso o país desista de seu programa de enriquecimento de urânio.As reações ao anúncio foram imediatas. Embora tenha se mantido em um patamar acima dos US$ 70 na bolsa de Nova York, o preço do petróleo cru fechou em baixa nesta quinta-feira depois que a ansiedade acerca das tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a diminuir."Tenho o prazer de dizer que chegamos a um conjunto de propostas de longo alcance que servirão de base para as discussões com o Irã", anunciou a ministra de Relações Exteriores britânica, Margaret Beckett, após uma reunião com os chanceleres da França, Alemanha, Estados Unidos, Rússia e China. "Acreditamos que as propostas oferecem ao Irã uma chance de alcançarmos um acordo negociado baseado na cooperação."Segundo ela, as ações do Conselho de Segurança contra Teerã serão suspensas se o país cancelar suas atividade de enriquecimento e processamento de urânio."Nós estamos prontos para reiniciar as negociações, então o Irã também deve reiniciar a suspensão de todas as atividades relacionadas ao enriquecimento e processamento, como requerido pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Assim, suspenderemos as ações no Conselho de Segurança", disse a chanceler britânica.Na mira dos EUATeerã está sob a mira das potências ocidentais desde o início do ano, quando o país anunciou que reiniciaria suas pesquisas para o enriquecimento do urânio. Suspensas desde 2003, essas atividades provocaram grande desconfiança na comunidade internacional quando veio a público que Teerã manteve instalações nucleares secretas por mais de 18 anos. Diante das evidências, a AIEA pressionou o Irã a congelar as atividades de enriquecimento de urânio, justamente porque esse processo pode conduzir tanto à produção de energia elétrica - que o país alega ser seu objetivo -, como ao combustível usado em bombas. No início do ano, no entanto, Teerã cancelou esse congelamento, e anunciou que retomaria as pesquisas. As desconfianças geradas em torno do anúncio geraram uma espiral de enfrentamentos que levaram a questão ao Conselho de Segurança. O órgão, formado por EUA, França, Grã-Bretanha, Rússia e China estuda como tratar a questão, e um pacote de incentivos e punições foi a solução encontrada para que o país desista do programa.Próximos passosDurante seu pronunciamento à imprensa, a chanceler britânica também destacou que medidas duras serão tomadas caso Teerã não aceita o pacote de incentivos. "Nós também concordamos que se o Irã decidir não se engajar nas negociações, os próximos passos terão que ser tomados no Conselho de Segurança", disse ela, referindo-se a possíveis medidas punitivas que podem vir a ser tomadas na instância máxima da ONU."Nós pedimos que o Irã tome o caminho positivo e considere seriamente nossas substantivas propostas, que trarão benefícios ao país", completou Beckett, acrescentando que os negociadores apresentarão as propostas a Teerã nos próximos dias. Em uma mudança abrupta no rumo político que vinha sustentando, Washington anunciou nesta quarta-feira que pode se juntar às negociações multilaterais sobre a crise nuclear iraniana caso o Irã renuncie às atividades de enriquecimento de urânioEm resposta a decisão, Teerã manteve sua postura desafiadora. "Não conversaremos sobre o direito do povo iraniano à tecnologia nuclear, mas estamos dispostos a dialogar, dentro de um certo âmbito, e sobre uma base de igualdade e sem discriminação, sobre os assuntos que causam desconfiança", comentou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, nesta quinta-feira. BushTambém nesta quinta-feira, o presidente americano, George W. Bush, alertou que se o impasse continuar, a questão será levada ao Conselho de Segurança de ONU."Veremos se esta é mesmo a última palavra do governo iraniano", disse Bush depois de uma reunião com os membros do seu gabinete na Casa Branca. "Se continuarem com essa obstinação, dizendo que não estão ligando para a opinião mundial sobre o assunto, então o mundo irá agir de acordo", ameaçou.Sobre o crucial apoio da Rússia e da China para a aprovação de uma resolução que inclua a ameaça de sanções, Bush disse que obteve uma resposta positiva do presidente russo, Vladimir Putin, durante uma conversa telefônica entre ambos nesta terça-feiraSegundo fontes do governo americano, a oferta de negociações entre os dois países deve enfraquecer os argumentos sustentados pelo Irã e por alguns países europeus de que a linha-dura mantida pela administração Bush até o momento era um obstáculo para as negociações.Os Estados Unidos cortaram relações diplomáticas com o Irã depois que radicais islâmicos tomaram a embaixada americana em Teerã e mantiveram seus diplomatas como reféns por mais de um ano.

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