Potências nucleares aprovam rascunho de sanções contra o Irã, diz Hillary

Documento será submetido à aprovação dos membros do Conselho de Segurança nesta terça

estadão.com.br

18 de maio de 2010 | 11h35

WASHINGTON - A secretária de Estado dos EUA, anunciou nesta terça-feira, 18, que as potências nucleares aprovaram um rascunho da resolução de sanções a ser importa sobre o Irã por conta do controvertido programa nuclear deste país.

 

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Segundo Hillary, China e Rússia, as duas potências relutantes em aprovar as medidas, concordaram com os termos de um documento inicial elaborado também por França e Reino Unido. O rascunho será apresentado ainda nesta terça aos outros membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

"Chegamos a um acordo sobre um rascunho da resolução com a cooperação da China e da Rússia", disse Hillary sobre as negociações que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança e a Alemanha têm mantido. "O rascunho circulará pelo Conselho ainda hoje", disse a secretária de Estado. Um diplomata confirmou que o Conselho de Segurança se reunirá na tarde desta terça a portas fechadas para verificar o acordo.

 

"Enquanto reconhecemos os esforços de Brasil e Turquia para encontrar uma solução a respeito dos desafios que o Irã faz à comunidade internacional, precedemos com o estudo de sanções que ao nosso ver enviará uma mensagem sobre o que esperamos do país", disse Hillary.

 

As sanções eram pretendidas pelas potências ocidentais, que temem que o Irã enriqueça urânio para produzir armas de destruição em massa. Elas dizem que a República Islâmica não coopera com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) nas investigações sobre seu programa nuclear. Teerã, porém, nega e afirma que mantém as atividades atômicas apenas para produzir energia elétrica.

 

O anúncio é feito apenas um dia depois de Irã, Brasil e Turquia selarem um pacto que prevê a troca de urânio enriquecido de Teerã por material atômico pronto para ser usado no reator de pesquisas. O acordo levantou dúvidas sobre a viabilidade do pacote de sanções - o quarto a ser aplicado sobre a República Islâmica - já que várias nações o consideraram um passo positivo na crise nuclear do país.

 

Os discurso dos países ocidentais que negociavam as sanções, porém, foi baseado no argumento de que o acordo não impediria a aplicação das resoluções, já que elas recairiam sobre o fato de que o Irã não deixaria de enriquecer urânio a níveis mais altos.

 

China

 

Ao mesmo tempo em que Hillary anunciou o apoio da China, porém, Pequim expressou apoio ao acordo fechado entre Irã, Brasil e Turquia na segunda. "Damos muita importância e congratulamos o acordo firmado entre Brasil, Irã e Turquia para o fornecimento de urânio para o Reator de Pesquisa de Teerã. A China sempre apoiou a estratégia da via de mão dupla", afirmou nesta terça o porta-voz do Ministério dos Assuntos Exteriores da China, Ma Zhaoxu.

 

Os chineses mostravam-se desfavoráveis às medidas restritivas contra o Irã por conta das boas relações comerciais que mantêm com o país persa e diziam que só as apoiariam caso fossem leves e não afetassem significativamente a economia iraniana. Segundo o comunicado de Hillary, porém, o atual pacote de sanções, se aprovado, será o mais pesado de todos já impostos sobre a República Islâmica.

 

Acordo

 

Também nesta terça, antes do anúncio de Hillary, os países envolvidos no acordo cobraram a compreensão das potências sobre o pacto e pediram maior espaço para as negociações.

 

O Irã, anunciando que comunicaria a AIEA por escrito sobre a troca de urânio, cobrou uma "resposta rápida" das potências para que o intercâmbio se desse o quanto antes. "Esperamos que os membros do grupo de Viena (EUA, França, Rússia e a AIEA) deem rapidamente a conhecer a sua disponibilidade para efetuar o intercâmbio oferecido por Teerã", afirmou o porta-voz do ministérios iraniano de Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast.

 

Já o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, pediu que as potências não enfraqueçam a possibilidade de um acordo nuclear com o Irã ao negociarem novas sanções ao país. Segundo Davutoglu, o acordo firmado na segunda rompeu "uma importante barreira psicológica" e caminhou rumo ao "estabelecimento da confiança mútua". "As discussões sobre sanções irão corromper a atmosfera - e a escalada de declarações pode provocar a opinião pública iraniana", disse o ministro, em Istambul.

 

O Brasil, por sua vez, pediu espaço para as autoridades brasileira e turcas nas conversas entre os membros permanentes do Conselho de Segurança e a Alemanha. "Creio que seria normal que pelo menos em uma boa parte as negociações sejam abertas para o Brasil e para a Turquia. Seria normal e desejável", disse Marco Aurélio Garcia, assessor para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acrescentando que o grupo deveria ser formalizado.

 

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(Com informações das agências Reuters e AP)

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