Potências ocidentais expulsam diplomatas sírios em protesto contra massacre

Ação conjunta ocorre após ataque em Houla, que deixou 108 mortos, entre os quais 49 crianças.

BBC Brasil, BBC

29 Maio 2012 | 12h39

No primeiro desdobramento internacional após o massacre da cidade de Houla, na Síria, vários países ocidentais determinaram nesta terça-feira a expulsão imediata de diplomatas de Damasco de seus territórios.

França, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Espanha, Canadá e Austrália estão entre as potências que anunciaram a saída forçada de representantes diplomáticos sírios.

A ação conjunta ocorreu após a morte de 108 pessoas, entre elas 49 crianças e 34 mulheres, na última sexta-feira em Houla.

Moradores da cidade que presenciaram o massacre afirmaram que a milícia shabiha, aliada do governo de Bashar al-Assad, invadiu as casas e abriu fogo indiscriminadamente.

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O ataque aconteceu antes do encontro do enviado especial da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, com o presidente sírio, Bashad al-Assad, na capital, Damasco.

Segundo o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Rupert Colville, as investigações iniciais sugerem que a maior parte das vítimas no vilarejo de Taldou, próximo a Houla, foi sumariamente executada.

Testemunhas disseram à BBC que os autores do massacre eram milicianos shabiha ligados às forças pró-governo. Sobreviventes da tragédia afirmaram que se esconderam ou se fingiram de mortos para despistarem os agressores.

Os observadores da ONU que visitaram Taldou disseram que muitas das vítimas foram mortas à queima-roupa ou esfaqueadas.

Os líderes sírios insistem que o massacre foi executado por rebeldes - a quem chamam de "terroristas" - que teriam promovido os assassinatos para conturbar o processo de paz e provocar a intervenção de potências ocidentais na Síria.

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A Rússia, que fornece armas para o governo sírio e vetou as resoluções da ONU para uma ação internacional contra a Síria, acusou ambos os lados pelo massacre da última sexta-feira.

O ministro de Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, disse estar preocupado com o fato de "certos países" começarem a usar o massacre de Houla "como um pretexto para aumentar a pressão por medidas militares".

'Hediondo e Brutal'

Líderes ocidentais expressaram horror pelas mortes e elevaram as pressões diplomáticas contra o governo de Assad.

O Canadá qualificou os atos do governo sírio como "hediondos e brutais" enquanto a Austrália descreveu o massacre como um crime "medonho e vil".

A Espanha chamou o ataque de "repressão inaceitável" e o novo ministro das Relações Exteriores da França, Laurent Fabius, afirmou que Assad era "um assassino de pessoas".

O governo francês disse, ainda, que "a loucura assassina" do regime de Damasco ameaça a segurança regional.

Apesar do protesto em massa, ainda não se sabe se as expulsões mudarão o cenário na Síria, disse a correspondente da BBC no país, Briget Kendall.

O encarregado de negócios da Síria em Londres recebeu um prazo de sete dias para deixar o país.

O ministro das Relações Exteriores da Grã-Bretanha, William Hague, afirmou que foi informado de que os Estados Unidos devem acompanhar a decisão dos outros países ocidentais e também anunciarão a expulsão de diplomatas sírios do seu território.

"A comunidade internacional está estarrecida com a violência que não cessa, com o comportamento do regime e com o assassinato de tantas pessoas inocentes", disse Hague.

Antes de seu encontro com o presidente Assad em Damasco, Annan chamou o massacre de "um momento terrível com consequências profundas".

Uma reunião do grupo Amigos da Síria com o recém-eleito presidente da França, François Hollande, deve ocorrer em julho, informou o gabinete do chefe do executivo francês. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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