Potências pressionam Irã por garantias

Em reunião em Genebra, membros do CS da ONU e a Alemanha exigem provas de Teerã de que seu programa nuclear não tem fins militares

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2010 | 00h00

Membros do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha exigem que o Irã dê garantias definitivas de que seu programa nuclear não tem fins militares para, assim, o país conseguir reconquistar a confiança internacional.

No entanto, depois de dez horas de negociações em Genebra, a única resposta que o grupo obteve do Irã é que o país não desistirá de seu direito de enriquecer urânio e quer que o acordo assinado pelo Brasil em maio sobre o intercâmbio de combustível nuclear seja a base para um entendimento amplo sobre o programa atômico de Teerã. Mas a proposta brasileira foi mais uma vez rejeitada pelas potências.

O debate, que termina hoje, foi considerado "tenso e difícil" e fez parte das primeiras negociações em 14 meses entre o grupo que busca uma solução para a crise.

Said Jalili, chefe da delegação iraniana nas conversações, afirmou que está disposto a negociar um acordo de cooperação amplo sobre energia nuclear como forma de reduzir os temores internacionais em relação aos projetos atômicos do Irã. "Temos de cooperar no campo de energia nuclear", afirmou Jalili à chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.

Mas, para ele, esse entendimento passa pelo projeto brasileiro. Outra exigência dos iranianos para aceitar um acordo seria a existência de uma cláusula que lhes garanta o direito de desenvolver um programa nuclear e enriquecer urânio.

Do lado das potências, a insistência foi para que o Irã dê provas claras à comunidade internacional de que não perseguirá o caminho militar em seu projeto nuclear. A meta seria a de restabelecer a confiança mundial em torno de Teerã, hoje inexistente.

Outro ponto levantado por Jalili foi o recente assassinato de dois cientistas nucleares iranianos, em uma insinuação de que o Ocidente poderia estar envolvido nos atentados cometidos contra os dois.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.