Potências pressionam presidente da Costa do Marfim e apoiam oposição

Oposição e situação se declararam vitoriosas nas eleições; impasse continua

Agência Estado

08 de dezembro de 2010 | 10h15

ABIDJÃ - O bloco oposicionista liderado pelo candidato à presidência Alassane Ouattara conta com o apoio da comunidade internacional para o pressionar o presidente Laurent Gbagbo a deixar o poder.

 

Tanto Ouattara quanto Gbagbo afirmam ter ganhado a recente disputa presidencial no país, mas a Organização das Nações Unidas (ONU), os EUA e outras nações pressionam Gbagbo para que reconheça sua derrota e deixe o poder.

 

A eleição do mês passado tinha como meta encerrar uma década de instabilidade na nação do oeste africano, mas levou a um impasse potencialmente explosivo, que atrapalha a economia e causa temores de violentos distúrbios.

 

O principal enviado da ONU à Costa do Marfim, Choi Young-jin, afirmou que Ouattara venceu as eleições "por uma margem irrefutável" e pediu que Gbagbo reconheça a derrota nas urnas. "As pessoas escolheram uma pessoa, não duas", disse.

 

Patrick Hachi, um porta-voz do governo de Ouattara, afirmou que estava substituindo embaixadores marfinenses em importantes países. O primeiro-ministro desse governo, Guillaume Soro, disse que sua força política buscava tomar o controle do Tesouro. "Nós estamos convencidos de que até o fim desta semana nós veremos essas medidas terem um efeito real", disse em comunicado Soro, que foi líder do movimento rebelde Novas Forças, que já controlou o norte do país.

 

Não está claro, porém, qual a estratégia da oposição para o longo prazo. Observadores dizem que a oposição pode ser forçada a se aproximar de partidários de Gbagbo. Analistas dizem que Ouattara está contando com o apoio internacional para garantir o poder. Os resultados iniciais deram vitória à oposição, mas posteriormente os resultados foram alterados e foi anunciada uma vitória do atual líder.

O presidente do grupo regional ECOWAS, Goodluck Jonathan, também presidente da Nigéria, disse que o bloco não está interessado em negociar um governo de unidade na Costa do Marfim. "Pela experiência que tivemos até agora no Quênia e no Zimbábue, isso nunca funcionou de fato e é por isso que não queremos isso."

 

Alguns sinais de fissuras internacionais começam a aparecer. Diplomatas disseram que a Rússia bloqueou um comunicado do Conselho de Segurança da ONU que teria apoiado Ouattara.

 

Gbagbo continua a ocupar o palácio presidencial em Abidjã. Já o governo de Ouattara faz reuniões em um hotel do outro lado da cidade. As informações são da Dow Jones.

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