Potências querem votar sanções ao Irã no sábado

Os membros do Conselho de Segurança da ONU vão revisar nesta sexta-feira, 23, uma versão de proposta de resolução para a imposição de sanções contra o Irã por sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio, com proposta de votação durante o fim de semana.O texto propõe a expansão das medidas adotadas em dezembro, proibindo a exportação de todos os tipos de armas e congelando bens de mais 28 instituições e pessoas do Irã no exterior, incluindo comandantes da Guarda Revolucionária e empresas controladas por eles, além do banco estatal Sepah.As grandes potências dizem que a proposta de texto é a versão final, mas é provável que sejam feitas mudanças antes da votação que, segundo o embaixador britânico, Emyr Jones Parry, está programada para o próximo sábado, 24.A proposta de resolução rejeita quase todas as emendas da África do Sul, que retiraria do texto a maior parte das proibições em relação a armas e atividades financeiras.Mas os negociadores forneceram explicações requisitadas sobre o motivo porque cada um dos nomes da lista de 28 iranianos, empresas e instituições do país deveria ter os bens congelados.Em resposta, o embaixador da África do Sul, Dumisani Kumalo, que preside o conselho neste mês, manifestou consternação."Eles nos disseram que negociariam em termos de troca", disse a repórteres na quinta-feira. "Eles estão fazendo exatamente o que disseram que não fariam."A maior objeção da África do Sul é em relação à imposição de punições fora da esfera nuclear.Pretória propôs também um "intervalo" de 90 dias antes da imposição das sanções, que segundo Jones Parry premiaria "o não-cumprimento, levantando a obrigatoriedade e isso seria totalmente perverso". O vice-embaixador dos Estados Unidos na ONU, Alejandro Wolff, disse que as emendas teriam que ser consistentes com a "filosofia desta resolução", proposta pela Alemanha e pelos cinco membros permanentes do conselho com poder de veto - Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Estados Unidos.PressãoA resolução exige que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio, processo que pode ser usado para construir bombas, ou para fins pacíficos. Os EUA e outros países suspeitam que Teerã esteja desenvolvendo armas nucleares sob a cobertura de um programa civil, o que os iranianos negam. Entre outras mudanças rejeitadas estão os pedidos feitos pela Indonésia e pelo Catar para incluir linguagem incentivando uma zona desnuclearizada no Oriente Médio, que os EUA negaram, supostamente por ser direcionada a Israel. Mas diversos diplomatas disseram que há pressão para Washington aceitar este termo, a fim de atrair apoio do Catar e da Indonésia, ambos países islâmicos. Wolff disse que a proposta de zona desnuclearizada "desvia-se do foco da resolução". São necessários no mínimo nove votos a favor, e nenhum veto, para que a resolução seja aprovada, e a medida já tem este apoio. Mas ela teria mais peso com o apoio de um país influente como a África do Sul, bem como da Indonésia e do Catar.

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