Richard Drew/AP
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Potências relutam em dividir poder, afirma Amorim na ONU

Chanceler pede reforma no Conselho de Segurança e exalta esforços diplomáticos brasileiros

Luciana Xavier - Agência Estado

23 de setembro de 2010 | 11h37

NOVA YORK - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta quinta-feira, 23, que quando se trata de assuntos da guerra e da paz, as potências tradicionais relutam em compartilhar o poder com países emergentes. As declarçaões de Amorim foram parte de seu discurso de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

 

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"O Conselho de Segurança deve ser reformado, de modo a incluir maior participação dos países em desenvolvimento, inclusive entre seus membros permanentes", afirmou. Segundo ele, o Brasil "tem procurado corresponder ao que se espera de um membro do Conselho de Segurança, mesmo não permanente, que é contribuir para a paz".

 

Amorim disse que o Brasil tem se empenhado em ajudar a avançar para uma solução do dossiê nuclear iraniano. O ministrou citou que a Declaração de Teerã de 17 de maio, firmada por Brasil, Turquia e Irã, removeu obstáculos que, segundo os próprios autores daquelas propostas, impediam que se chegasse a um acordo.

 

"A Declaração de Teerã não esgota a matéria. Nem foi essa a intenção. Estamos convictos de que, uma vez de volta à mesa de negociações, as partes encontrarão formas de resolver outras questões, como o enriquecimento a 20% e o estoque de urânio enriquecido acumulado desde outubro de 2009", disse. "A despeito das sanções, ainda temos esperança de que a lógica do diálogo e do entendimento prevaleça", acrescentou.

 

Celso Amorim também disse que o mundo conseguiu evitar "um surto protecionista descontrolado" durante a crise global, mas que os países desenvolvidos "não têm demonstrado o necessário compromisso com a estabilidade econômica global". "(Os países desenvolvidos) continuam privilegiando uma lógica baseada em interesses paroquiais. Em nenhuma outra área isso é tão evidente quanto na Rodada Doha da OMC (Organização Mundial do Comércio)", afirmou.

 

"Uma solução equilibrada desse processo negociador, que se estende por dez anos, favoreceria, com o fim dos subsídios distorcidos e das barreiras protecionistas, a expansão econômica e o desenvolvimento nos países mais pobres", disse o ministro.

 

Metas do Milênio

 

Celso Amorim afirmou que o Brasil deve conseguir cumprir todas as Metas de Desenvolvimento do Milênio (MDMs) até 2015 e que até agora tem conseguido honrar os objetivos nesse sentido. Ao todo, foram estabelecidas, em 2000, oito metas subdivididas em vários objetivos como combate à pobreza e sustentabilidade do meio ambiente. "A incapacidade de um país de alcançar essas metas deve ser encarada como um fracasso de toda a comunidade internacional", afirmou.

 

Ele ressaltou que, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, 20 milhões de brasileiros saíram da pobreza e "outros tantos da pobreza extrema". "Ao longo dos dois mandatos do presidente Lula, o Brasil mudou. Crescimento econômico sustentado, estabilidade financeira, inclusão social e a plena vigência da democracia conviveram e se reforçaram mutuamente", disse Amorim, que lembrou logo no início do discurso que "dentro de poucos dias, mais de 130 milhões de brasileiros comparecerão às urnas e escreverão mais um importante capítulo da nossa democracia".

 

Obama

 

O presidente dos EUA, Barack Obama, discursou pouco depois de Amorim. O americano voltou a pedir que o Irã esclareça as finalidades de seu programa nuclear e também pressionou israelenses e palestinos a resolver os conflitos no Oriente Médio.

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