Potências resistem em transferir poder a países emergentes

Enfrentamento nas mesas de negociação é gerado pelo crescimento de novos polos econômicos no mundo

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

20 de dezembro de 2009 | 14h52

Em todos os fóruns de debates de temas globais, a marca comum é a resistência dos países que desfrutam de benefícios do status quo em não querer perder seu poder. Ao mesmo tempo, a emergência de novos polos de crescimento obrigam um novo reconhecimento da realidade internacional.

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Se potências tradicionais hesitam em admitir uma transição a uma nova arquitetura, os novos polos de atração de investimentos e de crescimento querem garantias de que vão poder crescer sem obstáculos, mesmo que os tempos sejam outros. O impasse, portanto, é o que vem caracterizando esse enfrentamento por enquanto.

 

Há menos de um mês, o chanceler Celso Amorim estima que 2009 será o ano em que as "placas tectônicas" começaram a se ajustar, em uma referência ao reconhecimento de que os emergentes precisam fazer parte dos processos de decisão no mundo.

 

Isso ficou claro com a decisão do G20 de tomar para si a tarefa de reformar o sistema financeiro mundial como forma de salvar a economia internacional de sua pior crise em 70 anos. De quebra, a decisão foi uma declaração de que o G7 passava a ser um processo que já não dava respostas aos problemas. Mas nem nesse caso a situação é tão clara. Ao Estado, negociadores argentinos acusaram os países de ricos de estarem tentando repetir o comportamento do G7 dentro do G-20. Isso ocorreria por meio do estabelecimento de agendas que favorecem seus interesses ou mesmo mudando a ordem das presidências de sub-grupos de trabalho.

 

Para membros na ONU, se a década de 90 ficou marcada pelas grandes conferências mundiais que mostraram que os problemas teriam de ser solucionados de uma forma global, a década que termina nos próximos dias será lembrada como aquela em que governos se deram conta que essas soluções não são tão fáceis como se previa.

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