Potências se aproximam de acordo na ONU sobre arsenal químico de Assad

Em paralelo à Assembleia-Geral, diplomatas dos membros do Conselho de Segurança avançam rumo a uma resolução

O Estado de S. Paulo,

25 Setembro 2013 | 19h55

NOVA YORK - Em encontro paralelo à Assembleia-Geral da ONU, potências do Conselho de Segurança se aproximaram nesta quarta-feira, 25, de uma resolução que ampare o plano para eliminar o arsenal químico sírio. O ponto mais sensível é uma referência ao uso da força caso o regime de Bashar Assad não se desarme voluntariamente, mas ocidentais falam em "avanço", enquanto russos admitem que um acordo deverá ser alcançado em breve.

Após uma reunião organizada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, três representantes ocidentais disseram em condição de anonimato à Reuters que as negociações "estão avançando" e há consenso "sobre os pontos centrais" de uma resolução. Diplomatas russos afirmam que não há acordo sobre a mesa e "ainda há trabalho a ser feito". Mas o número 2 da chancelaria de Moscou, Gennady Gatilov, disse à Associated Press que uma posição de consenso pode ser alcançada "nos próximos dois dias".

O plano para destruir o arsenal de Assad foi negociado por americanos e russos em Genebra, no início do mês, evitando uma ofensiva militar de Washington contra Damasco. O texto deve ser submetido ao Conselho de Segurança, mas não há consenso sobre seus termos. Americanos e europeus querem que a resolução faça referência ao capítulo 7 da Carta da ONU, o qual prevê o uso de sanções e da força militar se a Síria não respeitar o que foi acordado na Suíça. Russos, com apoio de chineses, acusam ocidentais de tentarem se aproveitar da situação para abrir caminho a uma ação militar contra Assad.

O chanceler da França, Laurent Fabius, declarou que seu país só apoiará um texto que contemple a possibilidade de usar a força caso Damasco não cumpra suas obrigações. "Para que a França aceite a resolução, é preciso que ela permita o uso de medidas previstas no capítulo 7 se a Síria não honrar o compromisso de Genebra."

O ministro de Paris também criticou a posição do Kremlin, que promete barrar qualquer texto que legitime eventuais punições a Assad. "Considerando que foram os próprios russos que propuseram o banimento das armas químicas (da Síria), seria difícil entender a falta de acordo para aplicar isso."

Na terça-feira, da tribuna da Assembleia-Geral da ONU, o presidente Barack Obama havia feito um apelo para que as grandes potências cheguem a um acordo sobre o fim do arsenal químico sírio. "Se não conseguirmos nos entender nem em relação a isso, então mostraremos que as Nações Unidas são incapazes de assegurar as mais básicas leis internacionais", disse Obama.

Os russos evitam comentar publicamente as negociações. Mas, nos bastidores, diplomatas de Moscou asseguram que não recuarão.

Nova missão. Enquanto as negociações se intensificavam em Nova York, inspetores das Nações Unidas chegaram ontem à Síria em uma segunda missão para apurar o uso de armas químicas contra civis. Da última vez, os especialistas internacionais concluíram que gás sarin havia sido empregado na periferia de Damasco, no dia 21 de agosto, provocando centenas ou milhares de mortes.

Os inspetores alegaram que seu mandato não incluía a apuração de quem teria sido responsável pelo uso da arma química. No entanto, o relatório final indicou que obuses com a substância proibida haviam sido disparados de regiões dominadas por forças leais a Assad, incluindo uma das principais bases militares do regime na capital. Americanos, europeus e ONGs internacionais afirmam que não há dúvidas de que foi o regime sírio o responsável pelo massacre químico. Assad e a Rússia alegam que rebeldes sírios estão por trás do ataque, feito para "incriminar" Damasco.

O objetivo dessa segunda missão dos inspetores da ONU é coletar mais informações sobre o emprego de armas químicas na Síria, incluindo possíveis provas de que esse tipo de armamento foi usado também em março na vila de Khan al-Assa, perto de Alepo. Os funcionários internacionais chegaram de avião a Beirute, de onde seguiram de carro até Damasco. / NYT e REUTERS

 

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