Potências sinalizam para possíveis novas sanções contra o Irã

Medidas serão tomadas se país não aceitar incentivos em troca do congelamento do programa nuclear

AE, Dow Jones e Reuters,

04 de agosto de 2008 | 12h37

As seis potências que negociam com o Irã buscarão novas sanções contra a república islâmica no âmbito do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) se o país não aceitar o pacote de incentivos oferecido em troca do congelamento do programa de enriquecimento de urânio de Teerã, informou nesta segunda-feira, 4, o Departamento de Estado dos Estados Unidos. Representantes de Alemanha, China, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Rússia conversaram nesta segunda por teleconferência e concordaram em levar adiante a discussão de novas sanções contra o Irã, disse Gonzalo Gallegos, porta-voz da chancelaria americana.   Veja também: Irã retoma negociações sobre seu programa nuclear Irã testa novo míssil e ameaça fechar rota de petróleo   "Concordamos que, na ausência de uma resposta positiva, não temos escolha a não ser buscar novas medidas", disse o porta-voz, referindo-se às sanções. Nos últimos meses, porém, o Irã ignorou duas resoluções do CS da ONU exigindo a paralisação da atividade de enriquecimento de urânio.       A teleconferência ocorreu pouco depois de o chefe de política externa da União Européia (UE), Javier Solana, ter conversado por telefone com o negociador-chefe do programa nuclear iraniano, Saeed Jalili, sobre o impasse em torno das atividades atômicas da república islâmica.Solana reportou às seis potências nucleares que a conversa com Jalili foi inconclusiva, disse um porta-voz do chefe da diplomacia européia. "Não estão marcados novos contatos para os próximos dias", prosseguiu o porta-voz. Já a televisão estatal iraniana informou que "as partes concordaram em continuar dialogando."   O Irã já rechaçou o prazo. Antes do telefonema, uma autoridade iraniana disse que não haveria discussões sobre um eventual congelamento. Potências ocidentais temem que o Irã esteja tentando desenvolver bombas nucleares sob o disfarce de um programa civil, suspeita que o governo iraniano nega.   Em comentários que devem aprofundar a tensão, o chefe da Guarda Revolucionária do Irã disse que o país poderia, se fosse atacado, fechar o estreito de Ormuz, uma rota vital de escoamento do petróleo. A Guarda Revolucionária disse também ter testado uma nova arma naval. Cerca de 40% do petróleo negociado no mundo sai da região através do estreito de Ormuz. Os EUA não descartaram a possibilidade de agirem militarmente, mas insistem que desejam ver a diplomacia solucionando o impasse atual. Os rumores sobre um eventual conflito geraram tensão nos mercados de petróleo.   Respota definitiva   O governo iraniano prometeu fornecer uma resposta por escrito à proposta na terça-feira, disse um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA. "Concordamos que, na ausência de uma resposta clara, positiva da parte do Irã, não teremos outra opção que adotar novas medidas contra o Irã como parte dessa estratégia", disse Gonzalo Gallegos. O Reino Unido adotou a mesma linha: "A menos que a resposta de amanhã seja clara e positiva, não teremos outra escolha que impor novas sanções", afirmou um porta-voz da chancelaria britânica. Desde 2006, o Conselho de Segurança da ONU impôs três conjuntos de penalidades contra o país islâmico.   O Irã, quarto maior produtor de petróleo do mundo, descarta a possibilidade de suspender seu programa nuclear. "O enriquecimento (de urânio) é um direito inalienável do Irã", disse em uma entrevista coletiva Hassan Qashqavi, porta-voz da chancelaria iraniana. "Quando se trata de nossos direitos inalienáveis, vamos continuar insistindo."  

Tudo o que sabemos sobre:
EUAIrãprograma nuclear

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.